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1988: Sucessor de Doria na Embratur atestou que ele era um péssimo gestor

1988: Sucessor de Doria na Embratur atestou que ele era um péssimo gestor

1988: Sucessor de Doria na Embratur atestou que ele era um péssimo gestor – Foto: Cesar Ogata/ Secom

Sem citar o nome do ex-presidente, Grossi revelou que o turismo internacional caiu em 15% no País este ano, apesar da fortuna gasta por Dória com promoções no Exterior.

Numa pequena nota, o jornal O Estado de São Paulo de 30 de dezembro de 1988 noticiava as críticas de Pedro Grossi Jr, então presidente da Embratur, em relação ao seu sucessor, João Doria.

A possibilidade de extinção da Embratur — Empresa Brasileira de Turismo, dentro do processo de desmonte de estatais anunciado pelo Governo, foi admitida pelo presidente da autarquia, Pedro Grossi Junior, durante almoço oferecido pela  Associação Brasileira de Executivos de Marketing e Turismo, no Rio de Janeiro. Na mesma ocasião, Grosai afirmou que o Passaporte Brasil acabará em junho de 89, quando terminará o prazo de sua vigência.

O presidente da Embratur desmontou as estatísticas divulgadas pelo seu antecessor, João Dória Junior. Sem citar o nome do ex-presidente, Grossi revelou que o turismo internacional caiu em 15% no País este ano, apesar da fortuna gasta por Dória com promoções no Exterior. “Executaram um marketing no Exterior em que ofereciam como grande atração aos turistas a mãe dos nossos filhos”, disse Pedro Grossi Junior ao se referir à mídia da Embratur que exibia mulheres em fio dental aos turistas norte-americanos.

Caso seja extinta a Embratur, “o trade está altamente preparado para conduzir o turismo”, ressaltou o presidente da empresa. Ele falou sobre os quatro meses de sua gestão, período em que já conseguiu economizar 20 mil OTNs da Administração Pública e 260 mil dólares em três feiras internacionais, cancelando o contrato para sua execução e entregando a tarefa aos próprios funcionários da Embratur.

Grosai atacou duramente a administração do ex-presidente João Doria Júnior, principalmente quanto aos resultados do Passaporte Brasil: “Não conseguiu atingir 10% de seus objetivos, ao vender apenas 400 mil unidades num País de 150 milhões de habitantes. Em seu lugar surgirá outro instrumento que estenda direitos a todos os brasileiros e, para Isso, mantenho contatos com o Departamento de Aeronáutica Civil (DAC)”.

O presidente da Embratur usou de ironia ao falar do convênio assinado entre a estatal e a “Golden Cross”, que tem direito a 0,04 OTN sobre cada pacote vendido: “O Passaporte Brasil deveria ter sido entregue ao Ministério da Saúde ou à Previdência Social e não à Embratur. Seria um ‘Passaporte de Saúde’, o Passaporte Golden Cross’ e não de turismo”.

Durante o almoço — custou Cz$ 18 mil, por pessoa, no Rio Palace — Grossi falou sobre o que fez em 88 e o que pretende fazer em 89. Anunciou o estímulo oficial à promoção de festas regionais em vários pontos do País, a exemplo do que ocorreu no Rio de Janeiro, no Natal, nas areias de Copacabana, quando foram gastos 18 mil OTN’s, houve shows diários e a Missa do Galo contou com a presença de 15 mil pessoas e registrou a preocupação de incrementar os congressos, “que trazem gente com maior poder aquisitivo”, e de atrair turistas japoneses para o Brasil.

“Cerca de 10 milhões deles precisam viajar. O japonês é o novo rico. Enviamos funcionários ao Japão com instruções de permanecerem o tempo que fosse necessário para levantar os hábitos dos japoneses. Precisamos trazer turistas ricos para o Brasil.” Quanto ao turismo doméstico, o presidente da Embratur pretende incrementá-lo com algumas medidas, entre as quais a criação do Turismo Operário, Rural e Náutico.

1988: Sucessor de Doria na Embratur atestou que ele era um péssimo gestor

Como se sabe, dentre as ações de Doria à frente da Embratur, estava a proposta de redução de verbas para obras de irrigação no Nordeste. Na visão do atual prefeito de São Paulo à época, a seca na Caatinga se constituía num belo cenário turístico.

A campanha internacional da Embratur comandada por Doria e referida em dezembro de 1988 por Pedro Grossi Jr expôs de forma maliciosa as mulheres cariocas deitadas na praia, com o lema; “um país de cores, sabores e paisagens (…) e repleto de mulheres sensuais”, o que foi considerado por muitos como estímulo ao turismo sexual.

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