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Briga antecedeu demissões em massa na Band

Briga antecedeu demissões em massa na Band

Briga antecedeu demissões em massa na Band

O impasse sobre as folgas de fim de ano motivou uma discussão numa ilha de edição que virou briga e chegou à agressão física entre editores, resultando em duas por justa causa.

Por Cristina Padiglioni, no TelePadi:


Nem a perspectiva de que o ano é de Copa do Mundo, evento sempre atraente para anunciantes, salva a contabilidade das emissoras de TV. Após a demissão de uma centena de cabeças no SBT, em dezembro, mais 40 só no esporte da Globo e alguns programas encerrados na Record, a Band abriu o ano dispensando nada menos que 300 pessoas, como antecipou o colunista do UOL Flávio Ricco.

Na semana do dia 14, período em que normalmente já se sabe quem vai trabalhar e quem vai folgar no Natal e Ano Novo, o departamento de Jornalismo da Band ainda não tinha escalas definidas, justamente por não saber quem ainda estaria na emissora neste início de 2018. O impasse motivou uma discussão numa ilha de edição que virou briga e chegou à agressão física entre seus protagonistas, resultando na demissão de dois editores por justa causa.

Ainda no início de dezembro, o vice-presidente de Programação e Comercial, Diego Guebel, foi dispensado, eliminando, para o caixa da Band, não só o seu salário, como todos os gastos com helicóptero, hotel e avião implicados por seu contrato.

Não foi suficiente.

Consultada pelo TelePadi, a Band respondeu o seguinte, por meio de sua assessoria de comunicação:

“A Band está promovendo ajustes em suas operações. A reestruturação, que passa também pela reorganização do quadro de profissionais da emissora, é acima de tudo um redesenho de processos em busca de mais eficiência. A emissora nega ainda que os cortes cheguem a 300 pessoas, mas não informa qual seria o número real.

Se a coisa já estava enxuta antes, mesmo com horário nobre e um canal inteiro (21 UHF) locado para programação religiosa, como fazer a roda girar daqui em diante?

Duas mudanças acompanham os novos rumos de um mercado publicitário que hoje se vê tentado a distribuir parte de sua verba para influenciadores digitais – youtubers, blogueiros de apelo popular e similares, gente capaz de ditar regras no Twitter e Instagram, em meio à crise econômica propriamente dita, com acréscimo de fatores políticos: empreiteiras e empresas do governo, maior anunciante do país, de Petrobrás a Caixa Econômica, recuaram em seus investimentos publicitários.

Diante disso, o momento apresenta duas alternativas:

  1. Recorrer ao mercado de produção independente de TV, como tem feito a Record, e até a Globo, em escala maior que nunca. Habituadas a contas mais racionais e experts em utilizar recursos vindos de leis de incentivo, as produtoras têm um custo trabalhista menor: maquiadores, cabomen, cameramen, produtores, roteiristas, figurinistas, cenógrafos, enfim, toda a cadeia de profissionais que faz o trabalho audiovisual ali é contratada por obra, não por carteira de trabalho, o que a nova Lei Trabalhista só veio ajudar a legalizar. Mas que ninguém venha depois reclamar que não há bons roteiristas no mercado e que a Globo engole todos os talentos. Como todo cidadão, o roteirista é a cabeça do negócio e também busca alguma estabilidade financeira. Na primeira oportunidade de um contrato que lhe permita, por exemplo, tirar férias remuneradas (nem vamos tão longe nas vantagens), ele se rende a um contrato de prazo maior.
  2. A liberação de jornalistas para fazerem testemunhais e propagandas é uma onda chegou agora ao esporte da Globo e já vem atingindo outras empresas há algum tempo. Dividir riscos e faturamento com o jornalista passa a ser um meio de mantê-lo a serviço do canal, com salários mais modestos e alguma compensação de ganho via publicidade. Soa bem estranho, de todo modo, quando um repórter da BandNews FM, repete, ao final de seus boletins de trânsito, o slogan e nome do patrocinador, que pode ser a Porto Seguro, empresa privada paga para salvar vítimas do tráfego, ou a “Prefeitura de São Paulo – trabalho, trabalho e trabalho”. Nesse momento, a reportagem assume o papel inverso ao que o ouvinte espera dela: em vez de cobrar os deveres do poder público, ela pode endossar seu cartaz, gerando profundo prejuízo ao ofício jornalístico.

Mas não é possível terceirizar e vender todos os setores de uma emissora, seja à fé eletrônica ou ao poder púbico.

(…)


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