Dicionário Político

A definição de esquerda e direita

A definição de esquerda e direita

A definição de esquerda e direita

Ser de esquerda presumiria lutar pelos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, a promoção do bem estar coletivo e da participação popular dos movimentos sociais e minorias. Já a direita representaria uma visão mais conservadora, ligada a um comportamento tradicional.

Os termos políticos esquerda e direita  foram utilizados pela primeira vez na fase inicial Revolução Francesa (1789-1799), quando os liberais girondinos e os extremistas jacobinos sentaram-se respectivamente à direita e à esquerda no salão da Assembleia Nacional.

Com a instalação desta assembleia que visava formular a Constituição, as camadas mais ricas não gostaram da participação dos mais pobres, e preferiram não se misturar, sentando separadas, do lado direito. Por isso, o lado esquerdo foi associado à luta pelos direitos dos trabalhadores, e o direito ao conservadorismo e à elite.

Os direitistas pregavam uma revolução liberal, a abolição dos privilégios da nobreza e estabeleceram o direito de igualdade perante a lei. Os esquerdistas também defendiam o fim dos privilégios para nobreza e clero, mas eram favoráveis a um regime centralizador.

Dentro dessa visão, ser de esquerda presumiria lutar pelos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, a promoção do bem estar coletivo e da participação popular dos movimentos sociais e minorias. Já a direita representaria uma visão mais conservadora, ligada a um comportamento tradicional, que busca manter o poder da elite e promover o bem estar individual.

De acordo com o filósofo político Norberto Bobbio, o lado esquerdo da política busca promover reformas que afetam questões de justiça social; e o lado direito defende medidas que afetam a liberdade individual. Vale ressaltar, no entanto, que, na prática, essas definições não são aplicadas apenas dentro destes moldes.

Após a queda do Muro de Berlim (1989), que pôs fim à polarização EUA x URSS (também conhecida como Guerra Fria), um novo cenário político se abriu. Por isso, hoje, as palavras ‘esquerda’ e ‘direita’ parecem não dar conta da diversidade política do século 21. Isso não quer dizer que a divisão não faça sentido, apenas que ‘esquerda’ e ‘direita’ não são palavras que designam conteúdos fixados de uma vez para sempre. Podem designar diversos conteúdos conforme os tempos e situações.

Hoje existem diversas definições e posicionamentos políticos e ideológicos sobre esquerda e direita. O surgimento do centro (no Brasil chamado de Centrão) designa uma das multiplicidades do pensar e fazer político. A política de centro também  conhecida como “terceira via”, surge não como uma forma de compromisso entre esquerda e direita, mas como uma superação simultânea de uma e de outra.

Para definir ou classificar estes espectros políticos, existe a “régua” ideológica:

EXTREMA-ESQUERDA | ESQUERDA | CENTRO-ESQUERDA | CENTRO | CENTRO-DIREITA | DIREITA | EXTREMA-DIREITA

Muitas vezes, os termos esquerda e direita são utilizados também nas decisões e discussões sobre a economia. O termo neoliberalismo, por exemplo, surgiu a partir dos anos 1980, associados aos governos de Ronald Reagan e Margareth Thatcher, que devido à crise econômica do petróleo, privatizaram muitas empresas públicas e cortaram gastos sociais para atingir um equilíbrio fiscal. Era o fim do chamado Estado de Bem-Estar Social e o começo do Estado Mínimo, com gastos enxutos.

Para a esquerda, o neoliberalismo é associado à direita e teria como consequências a privatização de bens comuns e espaços públicos, a flexibilização de direitos conquistados e a desregulação e liberalização em nome do livre mercado, o que poderia gerar mais desigualdades sociais.

Direita e esquerda também têm a ver com questões morais. Avanços na legislação em direitos civis e temas como aborto, casamento gay e legalização das drogas são vistas como bandeiras da esquerda, com a direita assumindo a defesa da família tradicional.

Recente pesquisa do Datafolha apontou que cresceu o apoio da população brasileira a ideias identificadas com a esquerda do espectro político. Esse fato sobrepujou o avanço de algumas posições conservadoras, típicas da direita. O resultado líquido foi uma leve movimentação do perfil ideológico do brasileiro para a esquerda, retomando a situação de equilíbrio entre os dois polos.

Com informações de agências.

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