A máscara de Moro começa a cair

A máscara de Moro começa a cair

A máscara de Moro começa a cair

Em agosto passado, quando surgiram as primeiras denúncias do advogado, o juiz de preto tentou desqualificá-lo por se tratar de um foragido da Justiça.

Por Antônio Carlos Miguel, colunista de música do G1:


Na manhã desta quinta-feira (30/11), os métodos da Lava-Jato foram desnudados no depoimento, via teleconferência, de Rodrigo Tacla Durán à CPMI que prossegue na Câmara. Como se sabe, o advogado, que trabalhou na Odebrecht entre 2011 e 2016, usou de sua dupla cidadania para, amparado em acordos entre os dois países, vazar do Brasil e acompanhar na Espanha o processo ao qual é acusado. Aguarda que o juiz Sérgio Moro envie para a justiça espanhola as provas que, aparentemente, não existem. Lá, delações premiadas não têm valor se não acompanhadas de provas materiais. Delações que, como suspeitamos, muitas vezes são induzidas, filtradas, direcionados para alvos selecionados.

Tacla Durán teria fugido para a Espanha por não aceitar assumir em sua delação atos que diz não ter participado. Ele chegou a negociar com o advogado Carlos Zucolloto Junior (padrinho de casamento de Moro e ex-sócio da mulher do juiz numa banca em Curitiba) benefícios num eventual acordo junto aos procuradores da Operação. Mas, teria mudado de ideia quando percebeu os métodos e as engrenagens da tal “indústria da delação”, que incluiriam pagamento por fora para advogados e juízes, adulteração de documentos, provas forjadas e por aí vai.

OK, Tacla Durán também não deve ser flor que se cheire, mas, o silêncio de Moro e asseclas nos últimos dias faz muito barulho, parece comprovar as sujeiras da Lava-Jato. Em agosto passado, quando surgiram as primeiras denúncias do advogado, o juiz de preto tentou desqualificá-lo por se tratar de um foragido da Justiça. Agora, prefere se esconder. Se é que seriedade e justiça ainda tenham lugar no Brasil, a CPMI tem que ouvir Moro e senhora, Janot, Zucolloto e demais citados por Tacla Durán em seu depoimento.


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