Escavadeira

Moreira Franco, o ‘gatinho angorá’ que pula de colo em colo

Moreira Franco, o ‘gatinho angorá’ que pula de colo em colo

Moreira Franco, o ‘gatinho angorá’ que pula de colo em colo

Brizola dizia que a característica do gato angorá é passar de colo em colo: Moreira foi aliado do Fernando Henrique, do Lula, da Dilma, está no governo Temer.

Foi Leonel Brizola, líder do PDT, quem deu a Moreira Franco, por causa da cabeleira grisalha precoce, o apelido de “gato angorá”. O político gaúcho dizia que a característica do gato angorá é passar de colo em colo. Brizola estava certo: Moreira foi aliado do Fernando Henrique, do Lula, da Dilma, está no governo Temer – e ninguém duvide que ele esteja no governo seguinte.

Antes de ser apelidado de “angorá”, Moreira Franco tinha outro apelido; em 1969, ele se casou com a socióloga Celina Vargas do Amaral Peixoto, neta do ex-presidente Getúlio Vargas, filha de Alzira Vargas e de Ernani do Amaral Peixoto, interventor e governador do antigo Estado do Rio de Janeiro, presidente do PSD e depois senador e dirigente do MDB, partido de oposição ao regime militar. Como Amaral fora apelidado pela oposição udenista de “o genro”, Moreira passou a ser o “genro do genro”. Pelo MDB, foi eleito deputado federal e prefeito de Niterói. Em 1980, Moreira ingressou no PDS, partido de sustentação do último presidente militar, João Figueiredo.

“Moreira, outrora, tinha um pensamento de esquerda. Depois mudou sua orientação e eu não mudei a minha”, diz o ex-senador e ex-prefeito do Rio Saturnino Braga, de 84 anos, que militou no MDB, PDT, PSB e hoje é filiado ao PT. Moreira foi da Ação Popular (AP), organização inicialmente cristã de esquerda, depois de orientação maoista, que participou da resistência à ditadura militar.

De volta ao PMDB, Moreira foi eleito governador do Rio de Janeiro em 1986, na esteira do Plano Cruzado, durante o governo do presidente José Sarney. Deixou uma dívida de US$ 150 milhões das obras do metrô ao sucessor (Brizola foi eleito mais uma vez em 1990) e disse ter sido vítima de retaliações de Sarney.

Ao deixar o governo, editou o livro Moreira Franco – ele governou para todos, em que lista as principais realizações de sua própria gestão, como obras de saneamento na Baixada Fluminense. Em 1998, o Supremo Tribunal Federal confirmou decisão da Justiça do Rio, e o ex-governador teve de devolver R$ 400 mil ao Estado, acusado de promoção pessoal.

Moreira voltou à Câmara em 1994 e tornou-se um dos líderes da bancada aliada a Fernando Henrique Cardoso. Em 1998, tentou sem sucesso se eleger senador. Foi então nomeado assessor especial da Presidência da República, no segundo mandato de FHC. Escolhido na cota do presidente, não entrava na contabilidade de indicações do PMDB. O mesmo aconteceu no governo Dilma, quando foi para o Ministério na cota do vice-presidente Michel Temer. Em 2010, Moreira foi representante do PMDB na campanha de Dilma. No segundo mandato da petista, ficou fora do primeiro escalão, o que apressou a sua saída do governo¨e o seu conseguinte apoio ao governo Temer.

Com informações do Estadão.

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