Blog do Mailson Ramos

Ana Maria Braga vai pendurar um botijão no pescoço?

Ana Maria Braga vai pendurar um botijão no pescoço?

Ana Maria Braga vai pendurar um botijão no pescoço?

Se fizer jus ao protesto realizado em 2013, quando usou um colar de tomates para denunciar a alta dos preços, Ana Maria Braga vai pendurar um botijão no pescoço.

Em abril de 2013, exatamente dois meses antes de eclodir as famigeradas manifestações da classe média contra o governo e contra o sistema político, a apresentadora global Ana Maria Braga apareceu em seu programa com um colar de tomates, em protesto ao alto preço do produto no mercado.

Buscando transparecer que aquela era uma defesa às donas de casa, Ana Maria fazia a mais política, aliás, uma estratégia que os artistas da TV Globo sabem fazer como ninguém. Estava por trás daquele simples gesto uma maneira de se posicionar contra o governo de Dilma Rousseff e engrossar o discurso da classe média uma vez descontente.

O manifesto oportunista parece sempre vazio se pensarmos que – neste caso – passados algumas semanas, o preço do tomate já havia caído; estes fenômenos de alta de preço de determinados produtos acontece todos os anos.

A questão, porém, não é o modo como se manifestam estes artistas. É o momento oportuno usado por eles para dar voz a um discurso que se propaga nas classes dominantes e – através de um veículo de massa como é a televisão – atingir as classes mais pobres.

Isso ainda revela a superficialidade do debate político no Brasil; muito mais do que um discurso raso, estas perspectivas são infantis e até imorais do ponto de vista intelectual. E com o passar do tempo e o aumento das manifestações públicas contra o governo, gestos mais grotescos de protestos foram vistos.

Os grupos de coreografia que cantavam “nossa bandeira jamais será vermelha” e o homem vestido de Batman nas ruas do Rio são a cópia fidedigna do manifesto esdrúxulo e de causa vazia originados do colar de tomates de Ana Maria Braga.

Se o discurso da apresentadora fosse levado a sério, os seus telespectadores deveriam sugerir agora que ela, muito politizada e atenta à economia nacional, pendurasse no pescoço um botijão de gás para protestar contra o aumento de preço. Isso, entretanto, não teria nenhuma chance de acontecer por dois motivos: o primeiro é o peso do botijão; o segundo é o peso do discurso que agora não vem ao caso.

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