Opinião

A Rocinha “pacificada” e a imbatível hipocrisia

A Rocinha “pacificada” e a imbatível hipocrisia

A Rocinha “pacificada” e a imbatível hipocrisia

Coisa mais falsa do que a “pacificação” da Rocinha só mesmo a imbatível hipocrisia de quem insiste em repetir a balela na mídia e nos meios políticos.

Por Fernando Brito, do Tijolaço:


Hoje cedo, registrou-se  aqui o senhor Raul Jungmann anunciando que a favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, estava “pacificada”.

Os tiroteios de hoje provaram que é apenas mais uma ilusão.

30 anos de uma pacificação falsa, hipócrita, como as capas de jornal, lá em cima, registram.

É impossível mudar isso?

Evidente.

Visitasse você em 1945 as cidades de Berlim ou Tóquio e iria ver ruínas, escombros, gente com fome, furtando o que podia para comer, com crianças sem escola ou no que restava delas.

30 anos depois, duas grandes metrópoles, ricas, pacíficas, com população extremamente educada, preparada, capaz de ser o núcleo do enriquecimento de suas nações.

Nem os japoneses são louros, nem os alemães têm os olhos puxados. Assim, ser mestiço, negro ou de origem indígena, como boa parte dos migrantes nordestinos, não deve ser razão para que não possa dar no mesmo.

Nas ruínas da guerra, porém, não eram considerados outro povo.

Não havia quem nos comentários dos jornais – as então “cartas para a redação” – escrevesse que  “clima tropical gera 3 coisas.. Rato , barata, mosca e favelado!! Joga uma bomba atômica e começa tudo do zero!”.

Mas será que alemães e japoneses antes não falavam isso? Quando o nazismo e o imperialismo japonês estava no auge, não falavam assim dos judeus e dos chineses e coreanos que estavam como seus vassalos?

Não, não tem nada a ver com o clima tropical. como diz o imbecil citado.

Tem a ver com o título do clip que o Michael Jackson gravou no morro próximo, o Santa Marta.

They don’t care about us.


1 Comentário

  • Sou carioca (da gema até: nasci em São Cristóvão). Moro, não!, vivo longe há 50 anos e me dói como nunca não poder estar lá e protegê-lo. Lembro da generosidade do Rio com o Brasil, para que Brasília fosse construída e a prosperidade incluísse o Oeste. Abriu mão dos recursos destinados à sede do governo do país. Lindo, foi espezinhado e, mesmo assim, acolheu a pobreza do então Estado do Rio para dividir o pouco que tinha. A situação somente melhoraria com os royalties do petróleo, que agora se vão para os novos adquirentes da nossa herança. Agora também, as FA cercam a maior favela do Rio e do mundo. Para proteger a comunidade local e pacificá-la? Não, para proteger o rico entorno da Rocinha.
    Mas estamos juntos, Rio. Lute aí, sob fogo cruzado, com sua população que não tem medo de fumaça (até que tem, mas é melhor esquecer dele), que eu luto com as palavras para denunciar os abusos contra você.

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