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Escola de SC pediu que alunos participassem de festa fantasiados de favelados

Escola de SC pediu que alunos participassem de festa fantasiados de favelados

Escola de SC pediu que alunos participassem de festa fantasiados de favelados

O colégio particular Fayal de Itajaí-SC, pediu que as crianças comparecessem a uma festa com fantasia de “favelados do Rio de Janeiro”.

Do Diário Catarinense:


O colégio particular Fayal, de Itajaí, encaminhou para os pais de alunos do 4º ano um comunicado que pede que as crianças compareçam a uma festa com fantasia de “favelados do Rio de Janeiro”. Nas redes sociais, o jornalista Willian Domingues, pai de um aluno, diz que a recomendação era para que as crianças se vestissem com bermuda, chinelo, óculos e boné. “Nasci em uma favela, cresci na periferia de São Paulo e ainda assim não sei que traje é esse de favelado. Sempre ensinamos os nossos filhos a não terem nenhum tipo de preconceito e não julgar as pessoas pelo que elas vestem ou têm, mas sim pelo caráter”, escreveu.

A postagem, feita na quarta-feira à noite no Facebook e no Instagram, foi compartilhada por Celso Athayde, o fundador da Central Única das Favelas (CUFA) e comentada pelo rapper MV Bill: “Lamentável isso numa instituição de ‘ensino'”.

O colégio respondeu os comentários com um pedido de desculpas. Nesta quinta, a diretora do Fayal, Fabiana Almeida, disse que ocorreu um “equívoco”, com “palavras mal colocadas”, e que a escola está tomando providências administrativas.

— Não fomentamos preconceito. Foi uma infeliz ideia, injustificável, e assumimos o equívoco — afirma.

Segundo ela, a festa para a qual os alunos teriam que se fantasiar vai trabalhar a inclusão. Terá como tema a música Alagados, dos Paralamas do Sucesso. Em nota, a escola diz que não pretende criar muros, mas sim trabalhar e expor movimentos de cidadania e inclusão.

—  Não aceitamos racismo, xenofobia, homofobia ou qualquer intolerância de classes. Nossos 55 anos de história atestam esta postura — diz a nota.

A festa com fantasia de “favelados” do Fayal ocorre menos de um mês após ter vindo à tona a festa com o tema “se nada der certo,  promovida por uma escola particular no Rio Grande do Sul, em que os alunos se vestiram como trabalhadores, em um deboche de profissões como gari e faxineira.

A jornalista Elaine Mafra, esposa de Willian, afirmou nas redes sociais que a atitude da escola de Itajaí reforça estereótipos e preconceitos: “Na minha opinião, fantasia de favelado do Rio de Janeiro é de professor, policial, jornalista, estudante, dona de casa…. Porque eu tenho certeza que essas classes não moram na Barra da Tijuca ou em Copacabana”, postou.

Veja a íntegra da nota do Colégio Fayal:

Viemos através desta transcrever nossos mais sinceros pedidos de desculpas, pois ainda que possamos ter explicações, reconhecemos a inadequação de uma frase descontextualizada. Ouvimos cada um de vocês, e explicamos o contexto da ação . Jamais teríamos a intenção de criar estereótipos. Nosso espírito educacional é sempre na intenção de realizar ações que possam somar com a comunidade . É de prática cotidiana o acolhimento e humanização a nossos alunos , famílias e funcionários.  Houve um sério equívoco no bilhete enviado às famílias e que separado do contexto a que pertencia tornou-se inaceitável. Esclarecemos que a atividade proposta foi na verdade baseada na canção” Alagados” do conjunto Paralamas do Sucesso, onde é citado a Favela da Maré, uma das maiores do Rio de Janeiro, onde vivem hoje 130 mil pessoas ,em comunidades que se estendem entre a avenida Brasil e a Linha vermelha – duas das mais importantes vias de acesso à cidade. Não viemos criar muros e sim trabalhar e expor estes movimentos de cidadania e inclusão. Não aceitamos racismo, xenofobia, homofobia ou qualquer intolerância de classes. Nossos 55 anos de história atestam esta postura. Convidamos a todos para acompanharem o nosso trabalho que sempre privilegiou os valores e reafirmar que repudiamos toda e qualquer forma de exclusão. Contamos com a compreensão nesse momento e as providências internas já foram tomadas. Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um compromisso público de sermos cada vez mais intolerantes e intransigentes nesse sentido. Enfrentaremos esse momento com humildade e o superaremos , fica o aprendizado.


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