História

1962: Globo foi contra o 13º salário

1962: Globo foi contra o 13º salário

1962: Globo foi contra o 13º salário

Como voz que se levantava em defesa dos poderosos, O Globo estampou editorial contra a nova lei que instituía o 13º salário aos trabalhadores do Brasil.

O 13º salário é considerado hoje um dos instrumentos para aquecer a economia do País. Em 2011, o benefício pago aos trabalhadores com carteira assinada injetou R$ 1,8 bilhão na economia da Região, de acordo com os dados divulgados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O abono de Natal, popularmente conhecido como 13º, completa 50 anos neste mês de julho. Os trabalhadores na Pirelli, de Santo André, foram um dos primeiros na Região a conquistar o pagamento.

O coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, lembrou que essa luta transformou-se numa conquista a toda a sociedade. “O 13º salário aquece a economia, um salário a mais significa maior consumo e, com isso, mais produção e emprego”.

As lutas pelo pagamento começaram durante os efervescentes anos 1960. Após muitas mobilizações dos operários em todo o País, a gratificação salarial foi instituída pela Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, assinada pelo presidente João Goulart,  que oficializou o abono de Natal na legislação do trabalho.

Na Região, a luta se intensificou nesse mesmo período depois que os trabalhadores na Pirelli começaram a receber a gratificação. A mobilização se estendeu a trabalhadores de outras fábricas como Rhodia, Firestone, Laminação Nacional de Metais pela reivindicação a este direito.

Movimento

O contexto político da época era turbulento pela forte oposição de setores conservadores ao governo de João Goulart. Os operários se uniram e realizaram protestos e greve nas fábricas, e foram às ruas. O ex-prefeito de Santo André, João Avamileno, naquele ano havia começado a trabalhar na Pirelli como ajudante-geral, aos 18 anos, e relembra alguns atos. “A luta sindical no ABCD sempre foi muito forte, os trabalhadores iam às ruas, deflagravam greve e isso resultou em uma série de benefícios aos trabalhadores. Por isso, é importante lembrar que esses direitos foram conquistados com muito suor e união e ao custo de muitas demissões e até de mortes de trabalhadores. Acompanhei de perto a luta pelo 13º e me orgulho por essa conquista.”

“Mesmo a Pirelli dando o abono de Natal, lutamos para que o benefício fosse reconhecido por lei como direito do trabalhador e assim estendido a todas as categorias. A união dos operários do ABCD representou força ao movimento que outros sindicatos faziam pelo País. A Região era o palco das principais lutas trabalhistas,” disse o aposentado Nerci Domingues.

Greve geral

Em 5 de julho de 1962 milhares de trabalhadores organizaram, junto com o CGG (Comando Geral de Greve), uma greve geral no País. As principais reivindicações eram de caráter político, como a criação de um “gabinete  ministerial nacionalista e democrático”, até itens sindicais como melhorias de condições de trabalho, abono salarial, liberdade sindical, entre outros.

O Globo

Os sindicatos e o governo Jango enfrentaram uma forte oposição contra a criação do 13º salário. O empresariado era contra o projeto alegando que ele elevaria o custo e resultaria numa “quebradeira geral” de empresas no Brasil. Parte da imprensa também atacou a decisão do presidente brasileiro. O jornal O Globo, de propriedade de Roberto Marinho, personalidade que defendeu ardorosamente o golpe militar de 1964, escreveu um editorial raivoso na época contra a criação do benefício.

1962: Globo foi contra o 13º salário

1962: Globo foi contra o 13º salário

Na ocasião, Marinho acusou o presidente Goulart de fazer demagogia com a nova lei e que tal iniciativa iria quebrar empresários, levar à bancarrota a economia nacional e instalar no país o caos político e social. A previsão neoliberal não se cumpriu. Passaram se 50 anos e o país, é claro, não quebrou. Ao contrário, o 13º tornou-se um importante instrumento para elevar a renda dos trabalhadores e contribuir com o desenvolvimento econômico do Brasil. O que levou o país a um atraso e retrocesso político e social foi o golpe militar, apoiado pela mesma mídia e pelo mesmo empresariado que conspiravam contra Jango.

Fonte: CUT

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