Política

Temer a JBS sobre propina de Cunha: “Tá dando alpiste para o passarinho?”

Temer sobre propina a Cunha: "Tá dando alpiste para o passarinho?"

Temer sobre propina a Cunha: “Tá dando alpiste para o passarinho?”

De acordo com o executivo da J&F, Ricardo Saud, ao se referir à propina enviada a Cunha Temer dizia: “Tá dando alpiste para o passarinho?”

Do Uol:


“Tá [sic] dando alpiste para o passarinho? O passarinho tá [sic] tranquilo na gaiola?” Segundo Ricardo Saud, executivo da holding J&F, essas frases foram usadas pelo presidente Michel Temer (PMDB) para se referir à propina dada ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), detido pela Operação Lava Jato.

Ainda de acordo com Saud, um dos sete delatores da JBS, Cunha e o doleiro Lúcio Bolonha Funaro –que também está preso– recebiam dinheiro para ficar em silêncio, sem colaborar com as investigações.

Em delação ao Ministério Público no dia 10 de maio deste ano, o executivo contou que Joesley Batista, dono da JBS, se encontrou com Temer para dizer que “estava acabando o alpiste do passarinho”. Ou seja, que a empresa deixaria de pagar a propina. No que o presidente teria afirmado: ”Continua, isso é muito importante”.

A companhia então continuou com os repasses. “Vamos pagar mais um ou dois, só, até o Michel Temer resolver como é que vai pagar isso. Porque nós já cumprimos nossa parte, não vamos mais ficar segurando ninguém”, teria dito Batista a Saud.

Saud acredita que a fala dos detidos poderia comprometer “a República e a nossa empresa”. “A República como um todo. Não é só político. É o Executivo, o Legislativo todo. Ali todo mundo trabalha junto.”

Na gravação divulgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o momento em que Temer diz “Temos que manter isso, viu?” conta com vários trechos inaudíveis. Sem a transcrição oficial do diálogo, não é possível cravar que o presidente fez o comentário dando aval aos pagamentos.

Em pronunciamento na tarde desta quinta, Temer negou ter dado aval à compra de silêncio. “Ouvi realmente o relato de um empresário, que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse e somente tive conhecimento de fato dessa conversa pedida pelo empresário. Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém, por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação. Não preciso de cargo público nem de foro especial, nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome: na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos, e nunca autorizei, por isso mesmo, que usassem meu nome indevidamente”.

Em nota, Temer confirmou o encontro, mas disse que “jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha” e negou ter participado ou autorizado “qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar”.

Já Cunha, em nota redigida de próprio punho, afirmou que Joesley Batista mentiu ao dizer que estava pagando pelo seu silêncio. “Estou exercendo o meu direito de defesa, não estou em silêncio e tampouco ficarei”, diz Cunha no texto. Ele reforçou ainda que “jamais” pediu “qualquer coisas ao presidente Michel Temer”.

O executivo da J&F não especifica o valor pago a Cunha, mas diz que Funaro recebe R$ 400 mil mensais da empresa desde que foi preso, em julho de 2016. “Criou-se um mensalinho”, resumiu. O repasse era feito inicialmente ao irmão de Funaro. Depois, passou a ser recebido por Roberta, a irmã. Em um desses encontros, gravado pela Polícia Federal, ela estava acompanhada de uma criança de quatro anos.

Antes do “mensalinho”, a J&F já pagava propina ao doleiro referente a um processo da Eldorado Brasil, empresa de celulose da holding. “O Lúcio nunca foi próximo do grupo, sempre foi uma pessoa que chantageou muito o grupo. […] Ele procurava as peças nos lugares certos para sair cobrando propina das pessoas”, resumiu Saud.


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