Blog do Mailson Ramos

Se a Lava Jato instaurou um estado policial foi com a ajuda da direita

Se a Lava Jato instaurou um estado policial foi com a ajuda da direita

Se a Lava Jato instaurou um estado policial foi com a ajuda da direita

Este estado policial foi instaurado com a ajuda do próprio Reinaldo e de boa parte dos seus colegas, que até bem pouco tempo aplaudiam tudo aquilo que a Lava Jato representava, de bom ou de ruim.

A Lava Jato fez nascer um Estado Policial. Esta situação, porém, só se concretizou pelo apoio de boa parte da mídia, de gente que se achava longe do alcance dos procuradores messiânicos (aqueles que pensam falar com Deus) e de Sérgio Moro.

Criticar a Lava Jato era coisa de “blogueiro sujo” da esquerda que queria impedir “a luta contra a corrupção”. Nenhuma voz da direita se levantou quando, num grampo telefônico, um diálogo entre um ex-presidente e a atual presidente da República foi divulgado.

No momento em que Dilma sofreu o definitivo afastamento e a democracia foi solapada por interesses que agora aparecem diante de todos os olhos, nenhuma voz da direita foi capaz de pensar no que aconteceria depois. Reinaldo Azevedo escreveria sobre o assunto a seguinte consideração:

Dilma não foi grampeada. Grampeados foram outros entes e pessoas que estão sob investigação. O problema é que eles todos estavam em linha direta com a presidente da República. (…) Não se tratou de escuta ilegal, mas legalmente determinada. A quebra do sigilo dessas mensagens, dado o contexto, é plenamente justificada. A única área de debate será o uso das gravações feitas quando já suspensa a quebra do sigilo. Muito provavelmente, não poderão ser empregadas como prova.”.

Há pouco tempo, Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, foi intimidado pela Lava Jato. A maioria das vozes da direita estava calada, algumas vozes reagiram timidamente, outras preferiram chamar Eduardo de “aventureiro” e não jornalista, como Eliane Cantanhêde.

Hoje, a Procuradoria Geral da República anexou, em inquérito da Lava Jato, o conteúdo de conversas gravadas por interceptação telefônica entre o jornalista Reinaldo Azevedo, que mantém um blog na revista Veja, e Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves.

 Nas conversas, Reinaldo Azevedo critica uma reportagem da Veja e a atuação do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

Após a divulgação do fato, pelo Buzzfeed, Reinaldo Azevedo anunciou que estava pedindo demissão da Veja e divulgou uma nota criticando a violação da garantia constitucional do sigilo de fonte e alertando para a instauração de um estado policial no país.

Este estado policial foi instaurado com a ajuda do próprio Reinaldo e de boa parte dos seus colegas, que até bem pouco tempo aplaudiam tudo aquilo que a Lava Jato representava, de bom ou de ruim, desde que fosse contra o PT.

Para dar um exemplo, em 2011, Reinaldo escreveu também um post intitulado “Eu estou doido para ouvir petista em grampo telefônico na TV. Ou: quanto a Procuradoria-Geral da República é rápida”.

Isso significa que o estado policial ainda vai acossar muitos jornalistas. Mas não somente jornalistas. Ele vai perseguir todo aquele que se opuser à Lava Jato. A ruptura democrática fez emergir este monstro.

E já tem gente triste por saber que tão facilmente ele não volta para o abismo de onde saiu.

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