Blog do Mailson Ramos

O Papa Francisco e o combate à corrupção

O Papa Francisco e o combate à corrupção

O Papa Francisco e o combate à corrupção – Foto: Reprodução

Ao admitir a corrupção no seio da Igreja Católica, o Papa Francisco determinou que, antes de tudo, é preciso ser verdadeiro e transparente.

O Papa Francisco poderia falar de corrupção como os seus predecessores: de maneira genérica, simbólica ou no conteúdo de alguma homilia ou encíclica de cunho moral. Não o fez. Falou de corrupção claramente, sem citar nomes e sem colocar a Igreja Católica num círculo de corrupção que se perpetua internamente na Cúria Romana.

Bergoglio é homem de palavras comedidas. Se falasse sobre corrupção na Igreja, como um todo, colocaria em risco a sua posição de máximo pontífice. Porém, ao alertar para a corrupção do alto clero, o papa coloca em evidência os cardeais que vivem em eterna opulência, como príncipes medievais.

Francisco chama a atenção para os prelados que se comportam como reis, andam em carros de luxo, vivem em espaçosas mansões e refutam a verdadeira atribuição da Igreja de Cristo que é manter espírito e dignidade de pobreza. Além disso, ao falar sobre a corrupção, Francisco também se lembra da paz em seu coração.

Um papa que admite falhas graves no centro da Igreja, mas que nem por isso perdeu a paz ou passou a tomar tranquilizantes. Está seguro de si como a rocha atribuída a São Pedro, o predecessor dos predecessores papais. Firme e robusto no cargo, lança luzes sobre o que era até então escuridão ou teoria conspiratória dos thrillers baseados no Vaticano.

Desde 2013, os fiéis católicos se acostumaram com a perspectiva realista de um papa que reage à tradicional centralização da Igreja (leia aqui sobre a periferia do mundo, uma teoria social bergogliana) e expande um espaço simbólico de convivência para um mundo indiferente.

O Papa Francisco, com esta revelação, nos faz pensar sobre a hipocrisia que afeta países como o Brasil, onde a corrupção só existe quando interessa. Há alguns meses, fazia sentido para a mídia brasileira reforçar o estereótipo de país corrupto, entregue a políticos corruptos e cujo futuro era vislumbrado da perspectiva de um abismo.

Passados alguns meses, após transformações na administração pública, os mesmos políticos corruptos estabeleceram um novo governo e a mídia se cala. A hipocrisia e a omissão são pecados que pesarão nas costas do papa. Nesta oportunidade, o bispo de Roma deu ao mundo um exemplo de clareza, transparência e verdade.

Os cardeais que nele votaram queriam reforma. Reformar uma instituição de dois mil anos não será atribuição de um ou dois papas. Muitos reformadores precisarão vir depois de Francisco para resgatar da Igreja um sentido de humildade próprio, peculiar, que se deixou esquecer na Igreja Primitiva. Mas o primeiro passo foi dado.

Jamais se poderá esquecer que o Papa Francisco abriu os caminhos para uma profunda reforma.

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