Blog do Mailson Ramos

Integração é tudo o que não há no transporte de Salvador

Integração é tudo o que não há no transporte de Salvador

Integração é tudo o que não há no transporte de Salvador – Foto: Reprodução

Não basta apenas integrar os sistemas de transporte. Em Salvador, o cidadão precisa é ser respeitado inclusive por pagar uma das mais altas tarifas de transporte público do país.

Ônibus lotados, atrasos, lentidão, desrespeito, tarifa caríssima: estes são alguns dos problemas encontrados no sistema de transporte público da cidade de Salvador que viveu momentos de ilusão com o estabelecimento do programa de integração. A integração deixa de funcionar quando o cidadão entra num ônibus onde setenta pessoas já se encontram espremidas; não pode haver integração se as promessas de reformar os veículos foram somente promessas e eles estão caindo aos pedaços; como pode haver integração se as linhas cumprem os seus horários ou muitas vezes sequer passam nos pontos?

Quem já experimentou andar na carroceria de um caminhão transportador de bovinos saberá muito bem o que é andar nos ônibus do sistema de transporte público da cidade de Salvador.  É como se a tração e a frenagem dos ônibus servisse apenas para causar solavancos, acidentar pessoas, causar incômodo durante a viagem. Motoristas abusam da velocidade e das manobras arriscadas para ultrapassar barreiras de um trânsito caótico. Eles não são os únicos culpados nesta história; são também vítimas de um sistema carcomido e ineficiente.

Em Salvador se paga uma das mais altas tarifas de transporte público no Brasil: R$ 3,60. O cidadão soteropolitano já ouviu promessas de todos os tipos: ônibus com ar condicionados, cadeiras acolchoadas, linhas que não atrasam, veículos novíssimos, sistema integrado. Não se pode negar que houve uma evolução na integração das linhas e uma melhoria na estrutura dos veículos. Entretanto, outros problemas mais graves permaneceram e parecem muito mais difíceis de serem resolvidos pelo poder público.

Seria, por exemplo, racional que mais linhas transitassem em frente a uma grande escola, por volta das nove horas da noite, quando as aulas se encerram e os alunos precisam retornar para casa. Porém, acontece justamente o contrário. É nestes horários que os veículos não param nos pontos, passam com bandeiras apagadas ou acendem o alerta de garagem e seguem como se aquela multidão pudesse ou devesse ir para casa a pé. O exemplo da escola se aplicaria a um supermercado, uma grande loja, um espaço de shows.

Salvador vive a ilusão de praças bonitas, reformas na orla, festas, festas e mais festas; mas amarga a convivência com um sistema de transporte público precário e que não atende às perspectivas e demandas do cidadão. Isso não significa que a cidade deva ser deixada às moscas. É muito importante para a qualidade de vida que a cidade respire uma atmosfera de reestruturação. Contudo, a reestruturação de uma cidade jamais estará completa se as pessoas não conseguirem se movimentar. A mobilidade é um dos principais requisitos de uma cidade que respeita o cidadão.

A construção do BRT e a implantação do metrô são dois pontos positivos para que o trânsito melhore em Salvador. Mas é preciso que o poder público estadual e municipal cumpra as suas propostas de melhoria além do marketing e da publicidade. O povão precisa perceber concretamente as iniciativas e as melhorias. É muito comum ouvir as pessoas comparando os ônibus a caminhões de carregar bovinos, reclamando de atrasos constantes, desrespeito, entre outras impropriedades. Isso precisa de solução e de uma verdadeira integração.

1 Comentário

  • De uma ofensa e desagregação uma crônica dessa.
    Infelizmente o transporte público continua assim, por falta de interesse popular. Onde as pessoas querem pegar o ônibus na porta de casa e saltar na porta do seu destino .
    Enquanto a prefeitura não começar a força de verdade a integração para que as pessoas aprendam de verdade , infelizmente não será possível uma “Integração que Salvador não tem ” .

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