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O vil espetáculo da votação do impeachment na Câmara

O vil espetáculo da votação do impeachment na Câmara

O vil espetáculo da votação do impeachment na Câmara – Foto: Nossa Política

O dia 17 de abril de 2016 estará marcado para sempre na história do Brasil pelo vil espetáculo da votação do impeachment na Câmara dos Deputados.

Eduardo Cunha, o bandido preferido das massas em verde e amarelo, conseguiu transformar o domingo, dia 17 de março de 2016, no dia ideal para o horrendo espetáculo da votação do impeachment na Câmara.

Em artigo publicado aqui no site Nossa Política após abertura do processo de impeachment, Mailson Ramos lembrou que ‘A Câmara dos Deputados é o circo da dissimulação’:

Em qualquer outra nação civilizada do mundo, um deputado que homenageia um torturador mereceria perder o mandato e ficar longe da política para sempre; em qualquer civilização democrática que abomine a violência física e psicológica das torturas promovidas por governos ditatoriais rechaçaria a figura de um parlamentar que ousasse fazer memória de um regime militar.

O maquiavelismo se estampou em cores simbólicas ontem na Câmara dos Deputados. Coibir adjetivações agora é sacrificar o fígado. No abjeto incentivo das massas em verde e amarelo que ocupavam as ruas, os deputados exibiram a sua mais finória personalidade. Convém dizer que ali não era mais farsa teatral de outrora: como hienas ruidosas, mostravam os dentes e o azougue da carniça em seus pelos. Foi deprimente.

Deus adquiriu somente naquele dia um espaço especial na lembrança de suas excelências ao dedicarem os votos favoráveis ao impeachment. E houve espaço para outras tantas lembranças como os filhos, os netos, os eleitores, as cidades de origem Só não houve lembrança das pedaladas fiscais que levaram a presidenta Dilma àquele achincalhe público.

Não há como se esquecer da idílica luta dos deputados contra a corrupção. Estamos falando de um sindicato de bandidos presidido por um bandido de fama internacional que quer combater a corrupção solenemente ignorada por eles quando diz respeito às suas legendas e pares. Ora, todo o mundo sabe das contas suíças, dos pagamentos de propina e das manobras de Eduardo Cunha para roubar até quando lhe aprouver. E ele foi esquecido por quase todos os deputados que votaram a favor do impeachment.

E votou dizendo: “Que Deus tenha misericórdia desta nação”. A invocação a Deus não esconde que as manobras feitas pelos políticos nestes últimos tempos são muito mais tramas diabólicas. Saindo do maniqueísmo original, é possível ver também que o engendro golpista é acintoso para o país; os deputados mostraram claramente que 54 milhões de votos podem ser dissolvidos num sopro antidemocrático bafejado do submundo político, pois é isto o que a Casa do Povo se tornou.

O Brasil merece o parlamento que tem? Seguramente. As mesmas empresas que garantiram jatos aos deputados que estivessem distantes de Brasília foram as mesmas que elegeram centenas deles para responderem aos seus anseios, na aprovação de MPs, projetos e supressão impostos e tributos. São sequazes do dinheiro fácil, homens presentes em listas de propina, como o 342º deputado a favor do impeachment; sabem ser dispersos para não votar em projetos do governo e aglutinados para votar pautas bombas que o prejudiquem.

A imprensa internacional desmoralizou a votação de impeachment, chamando-a de carnaval; quem dera se ali houvesse a leveza de uma festa de rua. O que havia ali era ódio, achincalhe, fissuras insoldáveis, acirramento político de primeira ordem. Mas cada um exercendo o voto conforme suas conveniências ou as de seu partido. Alguns deles foram corajosos (e covardes ao mesmo tempo) o suficiente para afirmar que votavam com o partido e não por suas próprias convicções.

Não há dúvidas que o dia de ontem nos arremeteu ao passado. Levou-nos de volta ao fatídico ano de 1964. E hoje é bem provável que estejamos em condição muito pior do que há trinta anos. Não são os militares a tomar as ruas com seus tanques e sua força desagregadora. O que nos punge neste momento é saber que o poder político foi sequestrado por aqueles que abominam o povo e o querem senão para angariar votos. E das muitas lembranças que tiveram ontem, nenhuma delas foi o Brasil.

2 Comentários

  • Espetáculo grotesco! Pelo menos o cunha , com minúsculo mesmo, está preso, e espero que entregue os colegas tão minusculos quanto ele, para que lhe façam companhia! E que não haja arrumadinho institucional para “manter a governabilidade” !

  • Meu marido, PREFEITO DA CIDADE DE MONTES CLAROS, mostrou que é possível acabar com a CORRUPÇÃO, por isso meu VOTO é SIM, SIM, SIM, e de fato o PESTE, acabou com a corrupção no dia seguinte, quando foi levado no camburão da PF, com uma FAIXA, dizendo TCHAU QUERIDA, NÃO SEI QUE HORAS EU VOLTO.

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