Blog do Mailson Ramos

Hoje e sempre é dia de ser nordestino

Hoje e sempre é dia de ser nordestino

Hoje e sempre é dia de ser nordestino – Foto: Mailson Ramos

O nordestino de hoje adquiriu o gosto de viver; o orgulho de ser nordestino transpassa as dificuldades e nos fazem amantes desta terra.

Foi na Bahia que Pedro Álvares Cabral aportou, não se sabe ao certo se por casualidade ou, como defendem os historiadores do “achamento”, de maneira intencional.

Na Capitania de Pernambuco, também conhecida como Nova Lusitânia, progrediram as primeiras plantações de cana-de-açúcar e os poderosos engenhos, as mais promissoras capitanias.

Com o auge do ouro em Minas Gerais e a produção de açúcar pela União Ibérica, o Nordeste começou a ser esquecido. A vinda da Família Real Portuguesa para o Rio de Janeiro concedeu ao sudeste do país uma importância singular naquele momento.

Durante a República Oligárquica, São Paulo e Minas Gerais deram corpo à política do café com leite, elegendo 12 presidentes nascidos nestes dois estados, num revezamento que privilegiava o latifúndio e os grandes produtores da cultura cafeeira e leiteira.

E o nordeste foi esquecido.

Sobre a sua imagem simbólica pairava o sertanejo, a seca, a pobreza, o coronelismo, o atraso. Sublevado pelas injustiças e desigualdades sociais – pois os burgueses sempre mantiveram os seus privilégios e poderes oligárquicos sobre uma massa de miseráveis – o nordestino resignou-se.

Ao longo de quinhentos anos o nordeste brasileiro foi um conglomerado de estados que serviam como massa de manobra eleitoreira. Para manter os privilégios os antigos senhores de engenho e os latifundiários entraram para a política a fim de arrebanhar um sem número de miseráveis rumo a um futuro promissor que jamais chegava.

Com a chegada de Lula ao poder o nordestino confiou numa nova era.

Como estudante do ensino médio, naquele fatídico ano de 2002, vi Lula como o sonho de quem não conseguia sequer merendar; para quem queria livros e não os podia comprar; para quem via senhoras arrastando os pés até os açudes porque não tinha condições de construir uma cisterna no quintal de casa.

E quando o sonho se tornou realidade foi como uma luz. Foi uma luz. Aquele nordestino humilde, no meio do nada, que acendeu pela primeira vez uma lâmpada não poderá se esquecer do gesto.

Não podemos nos esquecer duma mãe que pela primeira vez comprou iogurte para o filho quando ela viu muitas mães dar água com açúcar para o seu rebento porque nem leite nos seios tinha mais.

Não vamos nos esquecer das crianças que, espalhadas pelas estradas, com pires e pratos nas mãos, costelas à mostra, pediam miseras moedas a quem passava de automóvel.

E dos retirantes doloridos que ao deixar a terra amada, procuravam um fiapo de esperança, oportunidade e coragem para dizer: ‘eu vou ficar’.

É do Brasil de injustiças que estou falando.

O nordestino de hoje é outro. Ele talvez enfrente desafios muito parecidos com os de outrora. Mas está preparado para enfrenta-los. A seca é pungente, mas não mais abate.

Os governos petistas criaram o Água Para Todos, Bolsa Estiagem, Garantia-Safra, Fornecimento de Milho e Socorro e Assistência. Os dados dos investimentos estão aqui. Em 2014, por exemplo, o governo Dilma tinha a meta de entregar 750 mil cisternas.

E não podemos nos esquecer do Minha Casa Minha Vida. Cidades nordestinas que tinham um pequeno déficit habitacional o zeraram.

O nordeste não é ainda a terra dos sonhos, mas estamos a caminho. Não nos falta cultura e beleza porque temos Luiz Gonzaga, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Ariano Suassuna, o Galo da Madrugada, Aracaju; temos as rendeiras das Alagoas, o reggae de São Luiz, o Cavalo Piancó; temos Caetano e Gil, Gal, Bethânia, Tom Zé; o humor e as praias do Ceará; do xaxado da Paraíba às pinturas do São João dos Carneirinhos do Rio Grande do Norte.

Hoje e sempre é dia de ser nordestino

Em tempo: Na foto acima, de modo displicente, consegui juntar num mesmo quadro seis espécimes diferentes de plantas da caatinga: licurizeiro (palmeira), umbuzeiro, mandacaru, jurema, sisal (flecha) e o pau-de-rato (flores amarelas).

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