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Família de ministro superfaturou venda de vacas

Família de ministro superfaturou venda de vacas

Família de ministro superfaturou venda de vacas – Foto: Roberto Castro/ME

Gerente financeira da Carioca Engenharia afirmou que comprou vacas superfaturadas da empresa Agrobilara, pertencente aos Picciani.

Saiu no Globo:


Carioca Engenharia comprou vaca superfaturada da família Picciani, diz delatora

Tânia Maria Silva Fontenelle, gerente financeira da Carioca Engenharia, afirmou no termo de depoimento de delação premiada que comprou vacas superfaturadas da empresa Agrobilara, que pertence à família de Leonardo Picciani, ministro do Esporte do governo de Michel Temer. O objetivo, segundo a delatora, era ‘gerar dinheiro em espécie’ para o caixa 2 da empreiteira.

Picciani foi líder do PMDB na Câmara e estava em seu quarto mandato quando assumiu a pasta, em maio passado. O pai dele, Jorge Picciani, é presidente da Assembleia Legislativa do Rio e o irmão dele, Rafael Picciani, é deputado estadual. Cada um deles tem 20% da Agrobilara, ao lado de outros dois integrantes da família.

Segundo o deputado Jorge Picciani, “todas as vendas seguiram os preços praticados no mercado, com notas fiscais emitidas e impostos devidamente recolhidos”.

Tânia disse que recebia os pedidos de acionistas e diretores da empreiteira para providenciar dinheiro em espécie e “simplesmente atendia às solicitações”, entregando para quem pediu ou a quem eles indicavam. Ela disse que não se envolvia e desconhecia os destinatários da propina, embora “obviamente sabia que a destinação dessas quantias era ilícita”. Para gerar o dinheiro, contou que fazia contratos simulados com prestadores de serviços. No caso da Agrobilara, ela afirmou que as vacas foram efetivamente entregues, mas parte do dinheiro foi devolvida à empreiteira.

“(…) também foram gerados recursos em espécie com a empresa Agrobilara Comércio e Participações, mediante a compra, por empresa do grupo da Carioca Engenharia, de animais bovinos com preços superavaliados; que os animais (vacas) foram efetivamente entregues, porém, parte do valor pago foi devolvida em espécie à Carioca”.

Segundo Tânia, as empresas que geravam dinheiro vivo para a Carioca cobravam uma comissão entre 25% e 30% do valor. Além de empresas como a Agrobilara, ela também recorria a um doleiro chamado Davies, num escritório na Avenida Rio Branco, no Rio. Ela disse que, aparentemente, a operação de câmbio também era ilegal. A executiva foi ouvida nesta segunda-feira pelo juiz Sérgio Moro, mas não falou sobre a Agrobilara, apenas sobre geração de dinheiro em espécie por empresas de Adir Assad, como a Legend e a Rock Star.

Procurado, o deputado Jorge Picciani afirmou, em nota que a família proprietária da Carioca é conhecida criadora de nelore, assim como a Agrobilara é uma das principais fornecedoras de genética de Nelore P.O. do Brasil. Segundo ele, “todas as vendas seguiram rigorosamente os preços praticados no mercado, e eventualmente até abaixo dele, com notas fiscais emitidas mediante cobrança bancária e impostos devidamente recolhidos”.

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