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Página/12: A tristeza não é só brasileira

Página/12: A tristeza não é só brasileira

Página/12: A tristeza não é só brasileira – Foto: Reprodução

O jornal argentino Página/12 publicou editorial no qual conta como foi o golpe perpetrado pelo Senado. A tristeza não é só brasileira.

Para o jornal, a democracia foi deixada para trás. Dilma Rousseff, eleita há 22 meses por 54,5 milhões de brasileiros, foi deposta ontem às 13h30 pelos votos de 61 senadores, de um total de 81 que formam o Senado Federal, entre os quais há mais de vinte com prontuário criminal e denúncias de todo calibre.

Assim como se comenta aqui no Brasil, na Argentina também se sabe que Temer não quer ser chamado de golpista. O editorial de Página/12 faz referência ao desejo do novo presidente de não ser assim tratado. “Acontece que o regime que surgiu ontem contra a vontade popular não permite ofensas às autoridades emergentes: em sua primeira reunião de gabinete , Temer instruiu seus ministros para rebater aqueles que os acusam de golpistas”.

Para o Página/12, a queda de Dilma é um sério revés, talvez insuperável, porque travou este projeto de diminuição da desigualdade social e democracia política que começou a ser contestado em 2015, com a escolha do neoliberal Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda  para implementar um ajuste ortodoxo que deixou 10 milhões de desempregados e uma recessão que promoveu uma queda de 38% no PIB.

“Acontece que esta administração pós-dilmista tem muito baixa aprovação, uma vez que não provoca simpatia nas classes populares e desperta ressentimento no eleitorado preocupado com a corrupção. E sua falta de votos e apoio público compensa a ‘policializacão’ – militarização gradual do estado”.

De acordo com o jornal, este golpe “brando” tende a endurecer com o passar dos meses, especialmente depois das eleições municipais de outubro, quando certamente a ocupação militar das favelas do Rio de Janeiro e a repressão da dissidência política e social será confirmada.

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