Blog do Mailson Ramos

Papa Francisco não virá por causa do golpe

Papa Francisco não virá por causa do golpe

Papa Francisco não virá por causa do golpe – Foto: PR

Para não fazer referência ao golpe textualmente, o pontífice resolveu usar a expressão “momento triste”. Todo mundo sabe o que ele quis dizer.

Um papa sensível quanto à questão social jamais deixaria de se pronunciar em relação ao que acontece ao Brasil, país com o maior número de católicos do mundo. O Papa Francisco já recebeu carta de Letícia Sabatella sobre o golpe. Inteirado da situação, fez alguns pronunciamentos – como é do estilo da Santa Sé – tímidos, mas cheios de simbologia.

Em 2013, quando da sua visita por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, Francisco deixou claro que retornaria em 2017. Não mais o fará, como informou o jornal O Globo:

Em seguida, Francisco convidou os presentes a rezarem “para que Nossa Senhora Aparecida siga protegendo todo o Brasil, todo o povo brasileiro, neste momento triste”.

Em maio, durante a votação da admissibilidade do processo de impeachment contra a petista no plenário do Senado, Francisco já havia afirmado que reza pela harmonia e paz no Brasil em um “momento de dificuldade”, também sem fazer referência direta à situação política.

O que Francisco não quis dizer diretamente e citou como “momento triste” e “momento de dificuldade” não é somente uma referência à crise política ou à crise econômica; é uma clara alusão ao golpe, à traição, à engrenagem da má política, à repressão que se segue.

Noutra oportunidade ele já havia alertado para a possibilidade de golpes brancos na América Latina.

Golpistas fazem cara de paisagem para não admitir que o martelo bateu em suas cabeças. Ou seriam puramente dissimulados? Não houvesse golpe – e mesmo como crise – o que impediria o papa de vir ao Brasil? Nada.

Naturalmente a pose se Michel Temer não lhe dá o mínimo de legitimidade. Não seria Francisco, primeiro papa latino-americano, escolhido entre os seus (cardeais de maioria europeia) a dar legitimidade para golpistas sem entranhas.

10 Comentários

  • Realmente o papa é um evangelista que só precisa ir a algum lugar quando se é necessário. Um governo abortista e dissipadores do ateísmo além das assimiladores à teorias Marxistas ele, o papa, tentava converter esse governo petista na tentativa de salvar o pais. Agora, não precisa mais vir.

  • Chegamos ao ponto-chave da questão. Como disse anteriormente, não comungo com a antiga e a atual gestão publica federal, mas mesmo assim, é importante ponderar os dois lados. Gosto da boa politica, fiquei satisfeito com o feedback que houve aqui. Sem agressões e nem censura. Quem dera fossem assim nas manifestações pró-Dilma…

    • As pessoas são livres ainda para escolher (ou não escolher) uma das gestões. Não é isso que trava o diálogo com algumas pessoas. O que causa rupturas num diálogo que já é intrincado é a agressão gratuita. Se não há agressão, sempre é possível haver diálogo. Não estamos aqui como donos da verdade, mas dispostos a dialogar com quem ocupa outro lugar de fala que não o nosso. Não fugimos de nossa atribuição, mas o espaço está aberto.

  • Ser imparcial é algo totalmente contrário ao que se ver nesse site. Aqui sim, utiliza-se da forma potilico-partidária para promover esses grupos radicais, camuflando-os de coitados. Não sou a favor do antigo e nem atual cenário politico em que estamos inseridos, mas não apóio esse tipo de imprensa. Qual a verdade que vcs estão manifestando? Procurem ser imparciais!

    • Não somos imparciais. Procure observar, caríssimo Érico, se a Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão (os três maiores jornais do país) são imparciais. Observe se no jornalismo da TV Globo não há certo ativismo político (de direita). Pegue as últimas edições de ‘Veja’ e ‘Época’: elas são deliberadamente contrárias aos governos petistas. Onde está a imparcialidade? Os novos teóricos da comunicação não acreditam em imparcialidade. O máximo que o jornalismo pode fazer é ouvir as duas partes. Aqui você não vai ouvir as duas partes, porque, por desatenção pode não ter percebido que “Nossa Política é um portal de notícias e opiniões que discute com objetividade os temas relevantes da política nacional, sob o ponto de vista da esquerda.” Que parte do SOB O PONTO DE VISTA DA ESQUERDA você não entendeu? Nós temos um lado e não nos consideramos imparciais. É na imparcialidade que se escondem os hipócritas do jornalismo de hoje. Bom seria que todos um dia declarassem os interesses escusos que os fazem ter um lado e, publicamente, dizerem-se imparciais. Isso sim é que está errado.

    • Como informado dezenas de vezes a navegantes que tanto se interessam em saber como sobrevive este site, repetimos que através de programas de afiliados [e mais recentemente com a publicidade do Google, o AdSense]. Se há intenção em insinuar que somos bancados por partidos ou por qualquer entidade governamental, é bom desconsiderar. Jamais recebemos por realizar publicidade estatal, embora não haja nada de ilícito nisso. Sobrevivemos para contestar. Não “abrimos o caixa” porque os valores recebidos são irrisórios para manter uma hospedagem de plano simples. O que incomoda não é o quanto recebemos por esta publicidade de afiliados; é o empenho que temos em contrapor a narrativa política que distorce os fatos.

    • Você poderia explicar o motivo de seu questionamento? Creio que uma democracia saudável pressupõe governo e oposição fortes e cobertura jornalística ampla. Por outro lado, uma das principais características de regimes autoritárias, sejam eles de direita ou de esquerda, é o controle sobre a mídia e o que ela publica. A mídia oligopolizada brasileira tem uma narrativa única, visivelmente partidarizada. Aparentemente, você tenta desqualificar os veículos de comunicação que mostram os fatos sob outras perspectivas. Porventura você apoia regimes autoritários?
      Note que ao longo deste domingo, quatro de setembro de 2016, ocorreram no Brasil, e inclusive no exterior, inúmeras manifestações pedindo “Fora Temer” e “Eleições Já”. Nas principais capitais brasileiras compareceram milhares de manifestantes. Nos domingos em que ocorriam manifestações pedindo “Fora Dilma”, a Globo dava ampla cobertura jornalística ao longo do dia. Ao que tudo indica, as manifestações “Fora Temer” não recebem o mesmo tratamento. Considerando que milhões de brasileiros têm como única fonte de informação essa TV e suas coligadas, você não acha que essa cobertura diferenciada estimula um comparecimento maior às manifestações amplamente divulgadas por essas emissoras?

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