Blog do Mailson Ramos

Moro é o Joaquim Barbosa de amanhã

Moro é o Joaquim Barbosa de amanhã

Moro é o Joaquim Barbosa de amanhã – Foto: NP

Louvado como herói nacional, Joaquim Barbosa esteve no mais alto posto de idolatria promovido pela mídia. Esteve. Terá o mesmo futuro o juiz Sérgio Moro?

Durante o julgamento da Ação Penal 470, mais conhecida na mídia nativa como ‘mensalão’, destacou-se Joaquim Barbosa, então presidente do STF, como herói nacional no combate à corrupção.

Firmou-se um mantra de que Barbosa seria a espada da Justiça brasileira pronta a decepar os corruptos do sistema e livrar o país de vez desta terrível casta.  E o foco foi o PT.

Durante o carnaval de 2013, o presidente do STF foi idolatrado como nunca se viu neste país: máscaras, togas, referências. O brasileiro, entretanto, não conseguia compreender o que de fato estava acontecendo na Suprema Corte.

José Dirceu, por exemplo, foi condenado por votos como o de Rosa Weber ‘porque a literatura lhe permitia’. Cunhou-se o domínio do fato, uma aberração jurídica que hoje é extremamente contestada por especialistas em Direito.

A mídia blindou a imagem do herói e o transformou num ícone intocável, livre de críticas. Mas desde que cumprisse a tarefa de acabar com o PT.

Moro é Barbosa amanhã.

Atualmente paparicado pela mídia e idolatrado pela direita como se fosse uma unanimidade, Sérgio Moro tem os seus passos rastreados por jornalistas que cumprem a suja tarefa de alça-lo como herói na luta (parcial) contra a corrupção.

Moro foi chaleirado pelo editor de Veja, Rodrigo Rangel, em sua última viagem aos Estados Unidos. Aliás, é interessante notar como este juiz viaja aos States. Rangel paparicou Moro o tempo inteiro e fez observações de como se comporta o juiz, sempre discreto.

Esta história de timidez não condiz com as ações de um juiz que retirou o sigilo de grampos telefônicos com conversas entre um ex-presidente e a atual presidenta da República; onde estava a timidez do Moro – que não gosta de holofotes – quando autorizou o mandado de condução coercitiva contra Lula, alguém que jamais se negou a depor?

O tempo de Moro vai passar.

Como Joaquim Barbosa, ele será esquecido pela mídia porque o golpe já foi dado. A sua última incumbência, como lembra Rangel, é prender o Lula. E depois triste esquecimento. Porque enquanto os procuradores da República transformam em mídia as tais dez medidas contra a corrupção – e caçam o Lula – os deputados vão anistiar o caixa dois.

Moro é o Joaquim Barbosa de amanhã

Enquanto acusam Dilma e Lula de conter a Lava Jato, fecham os olhos para o acordão desvelado por Jucá. Também o Brasil um dia vai perceber que Moro é uma construção midiática. Nada mais.

E o seu futuro será como o de Barbosa: longe deste país que deixou em pandarecos, nos Estados Unidos, vivendo de palestras onde contará como combateu a corrupção sistêmica.

E a assepsia do Ronaldo Caiado? Esta só existe nas páginas da Veja ou no discurso de jornalistas que costumam lamber o chão de heróis midiáticos. Mas mesmo os sabujos encontram novos ossos para roer.

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