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A velha mídia pariu um corpo estranho: o golpe

A velha mídia pariu um corpo estranho: o golpe

A velha mídia pariu um corpo estranho: o golpe – Foto: Reprodução

Aliás, é quase sempre ela quem coloca para fora das entranhas, nos braços opinião pública envenenada, um corpo estranho chamado golpe.

Em agosto de 1954 era a mídia um dos algozes de Getúlio Vargas; em abril de 1964 era a mídia um dos algozes de João Goulart; de 1964 até 1985, a mídia, em especial a TV Globo, assumiu lugar de predileção entre os generais do regime militar; em 2015 e 2016, a TV Globo convocou e deu ampla cobertura às manifestações favoráveis ao golpe.

Em sentido amplo, toda a grande mídia cumpriu um papel fundamental para a consumação da queda de Dilma Rousseff, direta ou indiretamente. O golpe nasceu com a ascensão do PT ao poder, mas foi sufocado pelo sucesso retumbante dos mandatos do ex-presidente Lula. Até o final do seu primeiro mandato, Dilma não havia sentido as pressões dos setores conservadores da sociedade. Mas aí o golpe amadureceu. Nas redações e depois no campo político.

Não é segredo para ninguém que após a vitória de Dilma em 2014, a mídia levantou a ideia de que o impeachment era possível, talvez necessário. Mas sozinha e sem fatos palatáveis, ela jamais conseguiria ludibriar a opinião pública. Foi quando surgiu a Lava Jato, vazão necessária para criar uma narrativa política, desconsiderando os fatos, como diria, em outras palavras, o William Waack.

As prisões espetaculares, o Japonês da Federal, Sérgio Moro, heroicidade de procuradores e celebridade para delegados federais: a Lava Jato foi o circo midiático perfeito. O ápice desta empreitada foi a divulgação das conversas entre Dilma e Lula para a TV Globo. Aquele foi o arremate do golpe. O Jornal Nacional plantou no brasileiro a semente do ódio: naquele dia manifestantes contrários e favoráveis a Dilma entraram em confronto na Avenida Paulista com paus e pedras.

As revistas, combustíveis para as pautas dos telejornais aos sábados, cumpriram perfeitamente o papel de enterrar o governo; os jornalões, opositores dos governos petistas, destruíram a imagem de Dilma dia após dia. Não era a corrupção que estava em questão, pois Dilma, diferentemente de Eduardo Cunha, não tem conta no exterior e não recebeu dinheiro de qualquer espécie advinda de propina dos esquemas da Petrobras. Mas ela sempre foi a vilã nas capas de Estadão, Folha e O Globo.

Foi a mídia que recebeu em festa o governo interino de Michel Temer. O clube de corruptos adquiriu vernizes democráticos, sendo chamado até de governo de salvação. Numa perspectiva comunicacional, a mídia criou uma narrativa que interessava aos setores conservadores da sociedade – como sempre acontece –, mas desta vez com uma especificidade: havia uma necessidade de derrubar Dilma por questão de sobrevivência.

A publicidade estatal, menina dos olhos da velha mídia, passou a não suprir as necessidades dos seus grandes veículos após a diminuição da verba, especialmente em 2015. A sanha contra Dilma e o PT sempre teve um motivo: não permitir a igualdade de concorrência com as novas mídias.

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