Blog do Mailson Ramos

Tudo em nome do golpe

Tudo em nome do golpe

Tudo em nome do golpe – Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

A cada passo do impeachment, a promiscuidade entre poderes se avoluma. É tudo em nome do golpe. Parece uma marcha irreversível.

Gilmar Mendes, antipetista declarado e que não hesita um segundo em contrariar tudo aquilo que possa beneficiar Lula ou Dilma, afirmou agora que não vê a necessidade de realização de novas eleições presidenciais.

“Não vejo razão para novas eleições. Como também não vejo razão e na verdade não tem previsão para plebiscito em matéria de emenda constitucional, não há previsão na legislação que regula o tema”.

Significa dizer que mais uma vez ele se posicionou contra o PT e aproveitou para confirmar Temer no poder:

“Muitas dessas lutas e dessas referências que se faz, plebiscito e novas eleições, acho que a gente tem que fazer uma leitura mais política que jurídica. Porque, claro, em caso de impeachment, o presidente é substituído pelo vice. Então, me parece que se confirmando o impeachment, a solução é a assunção do vice e a vida segue”.

Este golpe tem cartas marcadas e uma delas é este ministro da Suprema Corte que se reúne num sábado, na calada da noite, com o presidente interino para tramar não se sabe o quê; ele recebe Renan e Jucá e aliados de Temer pouco tempo depois da revelação das gravações de Sérgio Machado para um café da manhã em que se discute “as dificuldades nas próximas eleições”.

E o Brasil vai se acostumando com a promiscuidade e os vernizes constitucionais.

No fundo, o que querem é a destruição do PT. Primeiro com a queda de Dilma e depois com a prisão do Lula. E tem petista concordando que a Dilma não deve propor um plebiscito para novas eleições, caso retorne ao poder.

Talvez por isso a esquerda tenha se perdido no caminho. Maior do que o mandato de Dilma e a sua volta é o restabelecimento da democracia. Isso explica o número de pessoas que, mesmo não apoiando o governo Dilma, se dispuseram a contestar o golpe.

Todo aquele que concorda com Gilmar Mendes e entende que o plebiscito por novas eleições não é viável, apoia indiretamente o golpe. Pois seria esta a única maneira de vencer o governo golpista de Michel Temer.

De igual para igual, apoiadores e adversários de Dilma não lutam. Ontem foi mais um exemplo de como o golpe caminha a passos largos no Senado. Não custa perguntar também por que a presidenta Dilma ainda não divulgou a Carta aos Brasileiros. Enquanto isso, os seus adversários internalizam um mote impiedoso: tudo em nome do golpe.

2 Comentários

  • É uma pena ver o que está acontecendo em nosso país.As denúncias feitas por Sérgio Machado em sua delação precisam ser investigadas. Tantas informações não podem ser abafadas.

  • Querem passar um rolo compressor. Pra que? Seria melhor para o país juízes imparciais e investigação séria para os denunciados pelo Machado e Odebrecht.

Deixe um Comentário!