Blog do Mailson Ramos

Golpistas usam a religião para explicar o golpe

Golpistas usam a religião para explicar o golpe

Golpistas usam a religião para explicar o golpe – Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

O uso da religião é apenas uma justificativa para justificar o injustificável: não há crime (fatos) contra a presidenta Dilma Rousseff.

Janaína Paschoal disse na manhã de hoje que quem iniciou o impeachment de Dilma foi Deus. Ora, Deus não gostaria de ser comparado com Eduardo Cunha e sequer foi ele o recebedor de R$ 45 mil reais para engendrar uma denúncia contra a presidenta Dilma sem crime de responsabilidade, um processo jurídico anômalo em que não se encontram os fatos que possam incriminá-la.

Magno Malta, aquele que cerra os dentes e vocifera como um pastor pregando contra Satanás – é o que eles mais gostam de fazer – disse na noite de hoje que Dilma será cassada por Salomão. Ele não tem vergonha de citar um dos personagens mais justos das histórias bíblicas para fazer referência a esta sujidade que é o processo de impeachment, nascido de uma vingança e finalizado por acordos ainda mais imundos.

Trazer a questão religiosa neste momento envolve a subjetividade que o processo jurídico dispensa. Se os fatos não conseguem, por si, incriminar a presidenta Dilma, o mais fácil é encontrar em objetos internos e espirituais a explicação para esta bandalheira que mata o povo de vergonha. Não estão decidindo por suas consciências, mas por cargos; não estão escolhendo pelo bem dos brasileiros, mas por sua satisfação pessoal; o ocaso da democracia não lhes punge, porque sobre o seu catafalco pisotearão a festejar a tomada do poder.

O mesmo uso da religião fez Eduardo Cunha ao comprar domínios na internet utilizando-se do nome de Jesus. Cultos evangélicos se tornaram frequentes desde que ele assumiu a presidência da Câmara, em fevereiro de 2015. A bancada evangélica se regozijava com as declarações de Cunha a respeito da fé; foi ele o anfitrião de Michel Temer numa igreja evangélica, no Rio de Janeiro, quando o interino admitiu entregar as tarefas mais difíceis à fé do aliado. E o que resultou disso? Pautas bomba, corrupção, propinas, chantagens, vinganças, ameaças.

A religião e a fé são indispensáveis, desde que não sejam usadas descaradamente para ludibriar. Quando, na USP, protagonizou aquele espetáculo horrendo, Janaína Paschoal não pensou nos netos da Dilma e em Deus. Quando disse que acabaria com república da jararaca não trazia no coração preceito religioso ou humanístico algum. E por que este clima ecumênico agora? É para mascarar que o ínfimo de suas consciências está sendo corroído pela má batalha. É o lado certo da história que grita dizendo: ‘você está do lado errado’.

Talvez não tenhamos que esperar cinquenta anos para que se admita este golpe. Em 1964 os jornalões diziam não haver ditadura alguma. O mergulho abismal que o Brasil dará nem mesmo os anjos do Senhor o salvarão. E não o salvarão de uma trama urdida durante mais de um ano para entregar o poder a quem não merece. Coisa triste é um país que dá ouvidos a charlatões políticos metidos a pastor.

Porque da ira e dos conchavos deles nem mesmo Deus escapa.

3 Comentários

  • Quando leio noticias sobre esses pseudos evangelicos ,mais fico feliz por ter sido liberto dessas seita que se diz cristã vivi no meio desses pilantras tomador de dizimos de incautos e se vangloriando de suas capacidades de roubar descaradamente. Cade o ministerio publico que nao toma providencia? SERA CONIVENTE?

  • O deus desses descarados é Baal. Não têm uma gota do caráter de J.Cristo, são cínicos como satanás. Políticos, não, títulos deles todos é legião. Se o auto-denominado povo de deus lesse a bíblia iria ver quem de fato são esses ratos. Povo religioso não precisa depender de covardes para entender as palavras sábia do Cristo. Leiam a bíblia e comparem!

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