Blog do Mailson Ramos

Golpe de 2016: como nós o vimos

Golpe de 2016: como nós o vimos

Golpe de 2016: como nós o vimos – Foto: NP

É um golpe branco, brando, parlamentar. Não é um golpe de Estado, com tanques de guerra nas ruas e o aparato das forças armadas a erigir um novo regime.

Há quase dois anos, o nosso site esmiúça o conteúdo da política nacional em republicação de notícias e análise de opinião. Neste período acompanhou tudo o que aconteceu em Brasília: desde o início do segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff até o momento atual.

Neste período, figuras como Eduardo Cunha ganharam notoriedade; o léxico político ressuscitou a palavra impeachment; desde 1964 a palavra golpe não havia sido tão utilizada; um vice-presidente assumiu interinamente o país; o Congresso Nacional deu vernizes democráticos a um processo de afastamento da presidenta da República sem crime de responsabilidade; o golpe de 2016.

É o golpe o fato mais marcante de 2016. Ele triangulou nas esferas de poder da República, ancorado pela denúncia de que a presidenta Dilma teria assinado decretos suplementares de crédito sem a autorização do Congresso Nacional, as chamadas pedaladas fiscais. Ainda que a perícia do Senado e um procurador do Ministério Público de Brasília tenham reforçando as bases da defesa de Dilma, com a afirmação de que não houve crime de responsabilidade, os parlamentares seguiram em frente.

É um golpe branco, brando, parlamentar. Não é um golpe de Estado, com tanques de guerra nas ruas e o aparato das forças armadas a erigir um novo regime. Mas é golpe. Não há dúvidas de que ele é um fato marcante para a sociedade brasileira. Porque retira do poder uma presidenta eleita com mais de 54 milhões de votos e coloca em seu lugar um clube de corruptos dispostos a por em prática o programa de quem não venceu as eleições.

É na figura de Michel Temer que triunfará os projetos do PSDB de Aécio Neves, eterno derrotado, golpista de marca maior. Não é a primeira vez que a política corrompe a ética; de sua residência, no Palácio do Jaburu, Michel Temer conspirou abertamente contra a presidenta da República. Em outras democracias do mundo, estaria atrás das grandes amargando severas penas. Mas o Brasil de hoje foi envenenado pela mídia. E rasteja esquartejado como uma presa sem saber aonde ir.

O Brasil não se assume golpista. O silêncio, entretanto, nos faz crer que a queda de Dilma é uma manobra necessária. Precisa cair. No final, a democracia triunfará. Mas quando? Quando chegará o dia em que interesses absolutamente pessoais deixarão de nortear a vida dos políticos, em Brasília? Quando triunfará o povo trabalhador desta terra? Não será agora.

A sociedade que ainda não se regenerou após 21 anos de ditadura volta a sofrer um novo golpe. E talvez esteja passando por isso por não ter depurado o regime de 1964. O que nos resta agora é pensar numa nova maneira de salvaguardar a democracia. Porque desta vez ela foi abatida impiedosamente; foi um massacre. Mas amanhã há de ser um novo dia.

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