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Por causa do ‘Esquenta’, diretor do MAM-BA entrega cargo

Por causa do ‘Esquenta’, diretor do MAM-BA entrega cargo

Guache Marques, Zivé Giudice e Sergio Rabinovitz – Foto: Reprodução/ Facebook

Zivé Giudice, diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) entregou o cargo por ter sido desautorizado diante da prepotência da TV Globo para gravar o programa ‘Esquenta’.

Saiu no blog Artes Visuais, de Reynivaldo Brito:


A prepotência mais uma vez sai vitoriosa. Já venho falando a algum tempo que a cultura na Bahia é relevada a um plano secundário. Agora, a vítima foi o Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM-BA que será palco de uma gravação de um programa de segunda linha da TV Globo chamado de Esquenta, que tem como apresentadora a Regina Casé.

Zivé Giudice

Todo museu ou outra instituição cultural qualquer tem normas, que são traçadas visando a sua integridade, e principalmente, a funcionalidade. O MAM-BA tem um regulamento que determina que gravações, fotografias e outras atividades semelhantes são sempre liberadas para às segundas-feiras, quando o museu está fechado à visitação pública.

Acontece que a produção deste programa insistia que queria gravar na terça-feira , quando o museu está em funcionamento, o que não concordou o então diretor Zivé Giudice. Inconformados com a negativa os funcionários da estação de televisão foram até o IPAC, e conseguiram uma “autorização” do diretor, o arquiteto João Carlos de Oliveira, para realizar a filmagem na terça-feira. Inconformado Zivé entregou o cargo.

Este fato lamentável foi imediatamente repercutido no meio artístico baiano como um claro desrespeito não somente ao diretor do MAM-BA, mas a todo segmento artístico da Bahia que tem este museu como um ícone da nossa cultura.

Zivé mesmo sem apoio e recursos vinha realizando um trabalho exemplar à frente do museu devido a seu tirocínio e ajuda de vários artistas, principalmente, os de sua geração.

O Secretário de Cultura, Jorge Portugal apoiou a decisão do diretor do IPAC, João Carlos atendendo à solicitação da produção do programa da TV Globo que vai gravar nas instalações do Solar do Unhão.

Tive conhecimento que recentemente um grupo de artistas se dirigiu à Secretaria da Cultura com o objetivo de entregar um documento reivindicando algumas ações com vistas à realização de salões de fotografias, artes plásticas, etc. Os artistas foram recebidos no balcão de informações por uma assessora e saíram de lá decepcionados.

Não consigo entender por que os museus estão subordinados ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural – IPAC, que foi criado para cuidar dos monumentos históricos da Bahia, e não para traçar políticas ou supervisionar museus. Enquanto isto, dezenas e dezenas de casarões e prédios históricos estão em ruínas ou degradados.


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Quem de fato promove a cultura neste país está esquecido pelo poder público. De certo modo, a produção cultural deste país se imiscui com aquilo que produz a televisão, em especial a TV Globo, com o seu poder onipresente. Esta onipresença, entretanto, produz prepotência e autoritarismo. O que é o ‘Esquenta’, de Regina Casé, senão um arremedo de difusão da produção cultural, forjado para entreter?

Fez bem o Zivé Giudice em entregar o cargo.

E faz muito mal o IPAC em desautorizar um diretor de museu diante dos desejos de uma emissora de TV. Eles poderiam acatar as normas do MAM-BA. Todas as instituições têm as suas regras e normas – as emissoras de TV bem sabem disso –, mas ao desacatar as regras alheias com desmedida autoridade, se esquecem até de suas próprias responsabilidades. [/color-box]

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