Blog do Mailson Ramos

Eduardo Cunha foi fator crucial no golpe

Eduardo Cunha foi fator crucial no golpe

Eduardo Cunha foi fator crucial no golpe – Foto: Fábio R Pozzebom/ ABr

Eleito presidente da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2015, Eduardo Cunha imprimiu uma virulenta oposição ao governo de Dilma Rousseff.

Um artigo do bom jornalista Juremir Machado, nos primórdios de 2015, descrevia as peripécias de Eduardo Cunha, aquele que, na presidência da Câmara dos Deputados, cobrava o escanteio e fazia o gol. Disse Jair Bolsonaro que sem Eduardo Cunha não teria havido processo de impeachment. Oposicionistas de Dilma jamais esconderam que sem Cunha o governo corria o risco de se recuperar e sair da crise, o que naturalmente foi descartado com a iniciativa das pautas bombas.

Com boa parte da Câmara comendo na sua mão, Eduardo Cunha imprimiu uma campanha de marketing irretocável: seu mandato como presidente seria marcado pela independência do poder legislativo em relação executivo. Era um mote aceito por muitos deputados, mas que mascarava a intenção de destruir o governo petista. Em seu imaginário, Cunha via a queda de Dilma como uma arma a ser utilizada num momento oportuno. E foi.

O pedido de impeachment de Dilma Rousseff foi aceito por vingança. Naquele momento, o presidente da Câmara dos Deputados estava ameaçado com a possibilidade de cassação no Conselho de Ética. Tentaria livrar-se com o auxílio do processo desde que a bancada petista votasse contra. Os petistas foram liberados por Dilma para votar como suas consciências mandassem. Cunha não hesitou.

Ele não só acatou o pedido como coordenou a criação da Comissão de Impeachment e interferiu diuturnamente no processo: primeiro indicou para presidente e relator da comissão os seus prepostos Rogério Rosso e Jovair Arantes; depois interferiu no rito; e, por fim, garantiu que os seus aliados votassem a favor do impeachment. Ele foi o grande artífice da oposição naquele vergonhoso 17 de abril. E quebrando a tradição, desceu da mesa para votar pelo impeachment.

Michel Temer é o presidente interino há quase seis meses. Durante todo este período sofre pressões constantes de Eduardo Cunha. A presidenta Dilma costuma afirmar que quem controla o governo é o deputado afastado e não o vice traidor. Os dois até se encontraram no Palácio do Jaburu, berço da conspiração nos tempos atuais. Cunha aguarda a votação para a cassação, marcada por Rodrigo Maia para 12 de setembro, data em que já se sabe: não haverá quórum.

E assim Eduardo Cunha, fator crucial do golpe, vai escapando da guilhotina. Triste do país em que um sujeito como ele foi presidente da Câmara dos Deputados. Triste do país em que pessoas ergueram faixas “Somos todos Cunha”. Deputados quiseram anistia-lo por ele ter aceitado o pedido de impeachment de Dilma. Os aliados sabem que ele é uma bomba ambulante, destas capazes de por no chão uma inteira república. Mas, com tudo isso, o seu destino é inexorável: o lixo da história.

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