Blog do Mailson Ramos

A crise no Judiciário é uma busca por proteção

A crise no Judiciário é uma busca por proteção

A crise no Judiciário é uma busca por proteção – Imagem: Renato Aroeira

A crise no Judiciário é uma busca por proteção; a insegurança jurídica começa a afetá-los assim como a qualquer cidadão deste país.

Ao saber que Dias Toffoli, seu colega, havia sido relacionado pela revista Veja ao empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, Gilmar Mendes vociferou contra os procuradores do Ministério Público, afirmando que eles tinham “delírios totalitários” e práticas “absolutistas”.

Mendes ainda fez o caldo entornar quando comentou sobre as últimas opiniões de Moro a respeito das provas ilícitas obtidas de boa fé: “Eles estão defendendo até a validação de provas obtidas de forma ilícita, desde que de boa-fé. O que isso significa? Que pode haver tortura feita de boa-fé para obter confissão? E que ela deve ser validada?”

Para não apagar as brasas da sua sardinha, Rodrigo Janot saiu em defesa dos procuradores. E negou a existência das informações veiculadas pela revista Veja no final de semana sobre possível vazamento de documento da delação premiada de Léo Pinheiro que comprometeria Dias Toffoli.

Como se sabe, o juiz Sérgio Moro não costuma se comunicar além de falas em palestras ou nos ofícios da Lava Jato. E não vai dar à cara a tapa num momento crucial em que a Lava Jato perdeu todo o seu prestígio, afinal de contas, como disse aquele procurador à Folha, “Éramos lindos até o impeachment se tornar irreversível. Agora que nos usaram para tirar quem queriam, desejam dizer chega”.

A crise no Judiciário é uma busca por proteção quando as próprias instituições públicas perceberam que a insegurança jurídica adquiriu eminente prevalência. Ao ponto inconcebível de que um ministro da Suprema Corte e do TSE possa ter sido utilizado para fragmentar as instituições a quem representa. Ou tenha servido como bode expiatório num momento em que exemplos de ética e moral são raridades.

Não se pode, porém, concluir que esta proteção seja apenas garantia aos membros do Judiciário. Mas é que a caças às bruxas pode começar a qualquer momento. Há quem diga que as delações da OAS e da Odebrecht atingiriam o coração do governo golpista. E se assim é, os políticos sabem que precisam recorrer aos togados para conter a Lava Jato de uma só vez.

E não querem esperar até dezembro.

O interessante para eles é que a operação seja finalizada já. Para evitar que chegue ao centro deste governo onde viceja a corrupção. Foi por isso que Dilma entrou na berlinda. Foi sobre isso que falou Romero Jucá nas gravações de Machado. Foi por esta razão que Eduardo Cunha renunciou e se escondeu da mídia para fugir da cassação no silêncio da noite. A crise no Judiciário é uma busca por proteção. Para ele e para os seus.

1 Comentário

  • O “aparecimento” de Cunha já prenunciava, além do golpe, outros acontecimentos…só estamos assistindo o desenrolar de um golpe de corruptos…ainda teremos o “espetáculo” do final…

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