Blog do Mailson Ramos

Brasília perdeu a vergonha

Brasília perdeu a vergonha

Brasília perdeu a vergonha – Fotos: Jonas Pereira/Agência Senado

Disse-me um senhor de 91 anos – uma autoridade moral indiscutível – que Brasília perdeu a vergonha. O Brasil do interior reconhece de longe a promiscuidade entre os poderes da República.

Um dia a história revelará que o golpe político urdido em reuniões conspiratórias nas residências oficiais de suas excelências deputados federais se tornará uma marca indelével na memória dos brasileiros, uma nódoa para tingir a democracia com as cores do atraso.

Chegará o dia em que as verdades aflorarão irretocáveis para mostrar que Brasília perdeu mesmo a vergonha, na personificação dos engravatados parlamentares que não hesitam em passar a mão no erário público.

Estamos diante de mais um golpe que tem estratégias definidas para sufocar a democracia nos seus mais frágeis suspiros. E ludibriar o brasileiro com a ideia de que apenas um partido ocasionou toda esta crise de moral.

Incapazes que somos de notar as verdades alheias ao discurso midiático e das decisões parciais de um judiciário falido, mergulhamos no escuro, rumo ao desconhecido, ignorantes do conflito social iminente.

Alguém que muito viveu como este amigo nonagenário é que tem a capacidade ver o fundo do poço onde mergulhou o Brasil e a sua única saída: vivificar a democracia com as representações de Vargas, JK e Jango; relembrar como o Brasil enfrentou e se livrou dos tempos obscuros da ditadura militar.

Viver hoje significa que “o que importa é criar uma narrativa política. Não importam os fatos”, segundo definição do jornalista da TV Globo, William Waak. Somente isso pode explicar como um senador dezenas de vezes delatado jamais foi apontado como um dos artífices da Lava Jato.

Também não se explica, por exemplo, Eduardo Cunha e a sua mulher continuarem livres; ela com intenções de bater as asas para fora do país, como sugere o MP. E ele fugindo da cassação por uma manobra de Temer e Rodrigo Vianna.

Que ninguém se surpreenda com o dia 17 de abril.

Episódios mais burlescos entrarão para história da política neste país. Para a nossa vergonha.

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