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Senadores franceses repudiam golpe no Brasil

Senadores franceses repudiam golpe no Brasil

Senadores franceses repudiam golpe no Brasil – Foto: Reprodução

O jornal Le Monde, um dos mais respeitados periódicos do mundo, divulgou manifesto de senadores franceses que repudiaram o golpe no Brasil.

O manifesto chama a atenção para um “golpe baixo parlamentar” que afastou do poder a presidenta Dilma Rousseff, eleita por 54 milhões de brasileiros.

“Eles formaram um governo composto exclusivamente por homens, sem qualquer representação da diversidade que é a sociedade brasileira”, afirma um trecho inicial do texto.

“As primeiras decisões do governo interino liderado por Michel Temer eram claras: abolir os ministérios da cultura, igualdade de gênero e diversidade e controle independente do aparelho Estado (Controladoria-Geral da União). Em seguida, ele anunciou o corte de programas sociais como o “Minha Casa, Minha Vida (programa de acesso à propriedade mais pobre), o “Mais Médicos” (o programa para a instalação de médicos estrangeiros em zonas desfavorecidas), e o estabelecimento de um plano de austeridade econômica. Este é um golpe de Estado institucional para destruir todas as reformas sociais que, durante os treze anos de governo de esquerda retiraram mais de 40 milhões de brasileiros da pobreza. Os homens deste governo interino agem com celeridade e não se preocupam com a instabilidade política, econômica e social em que estão mergulhando o Brasil.”

O manifesto fala sobre a renúncia de Romero Jucá por causa das gravações de Sérgio Machado que expuseram as entranhas do golpe. Os franceses explicitam a sua preocupação com a nomeação de Alexandre Moraes, ministro da Justiça, que já foi um dia advogado do PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa de São Paulo. A mídia também não escapa.

Foto: Reprodução

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“Outra marcante e significativa característica deste governo: o ministro da Justiça (o equivalente ao Ministério do Interior francês) Alexandre de Moraes foi advogado da organização PCC (“Primeiro Comando Capital”) de São Paulo. Nós também estamos preocupados com o envolvimento no golpe das grandes mídias brasileiras pertencentes a grandes grupos financeiros, uma campanha extremamente violenta para a remoção e criminalização da esquerda brasileira. Estes mesmos media tinham apoiado o golpe militar de 1964, a partir do qual eles construíram impérios de mídia reais. Ficamos chocados com as declarações de voto por membros em favor da demissão, citando Deus ou suas famílias, um deles ainda por cima fez um pedido de desculpas ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador já falecido de Dilma Rousseff.”

Por fim, os senadores apelam para o STF (Supremo Tribunal Federal) e dizem convencer François Hollande para que ele condene o golpe contra a democracia brasileira. Os senadores franceses fizeram referência aos golpes em Honduras e no Paraguai.

“Pedimos à comunidade internacional para condenar este golpe”, concluem.

Assinaram o manifesto os seguintes senadores:

Patrick Abate, sénateur de Moselle (CRC), Aline Archimbaud, sénatrice de Seine-Saint-Denis (Les Verts), Eliane Assassi, sénatrice de Seine-Saint-Denis et Présidente CRC, Marie-France Beaufils, sénatrice d’Indre-et-Loire (CRC), Esther Benbassa, sénatrice du Val-de-Marne (EELV), Michel Billout, sénateur de Seine-et-Marne (CRC), Marie Blandin, sénatrice du Nord (groupe écologiste), Eric Bocquet, sénateur du Nord (CRC), Jean-Pierre Bosino, sénateur de l’Oise (CRC), Corinne Bouchoux, sénatrice de Maine-et-Loire (groupe écologiste), Laurence Cohen, sénatrice du Val-de-Marne (CRC), Cécile Cukierman, sénatrice de la Loire (CRC), Ronan Dantec, sénateur de Loire-Atlantique (EELV), Annie David, sénatrice de l’Isère (CRC), Karima Delli, députée européenne (EELV), Michelle Demessine, sénatrice du Nord (CRC), Evelyne Didier, sénatrice de la Meurthe-et-Moselle (CRC), Christian Favier, sénateur du Val-de-Marne (CRC), Thierry Foucaud, sénateur de Seine-Maritime (CRC), Brigitte Gonthier-Maurin, sénatrice des Hauts-de-Seine (CRC), Pierre Laurent, secrétaire national du PCF et sénateur de Paris (CRC), Michel Le Scouarnec, sénateur du Morbihan (CRC), Noël Mamère, député de la Gironde (groupe écologiste), Christine Prunaud, sénatrice des Côtes-d’Armor (CRC), Jean-Louis Roumégas, député de l’Hérault (groupe écologiste), Bernard Vera, sénateur de l’Essone (CRC), Paul Vergès, sénateur de la Réunion (CRC), Dominique Watrin, sénateur du Pas-de-Calais (CRC).

Leia o manifesto na íntegra aqui.

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