Blog do Mailson Ramos

Não havendo pedaladas, as desculpas mais esfarrapadas

Não havendo pedaladas, as desculpas mais esfarrapadas

Não havendo pedaladas, as desculpas mais esfarrapadas – Foto: Evaristo Sá/AFP/Getty Images

Se as pedaladas não configuram crime, qual o crime de responsabilidade de Dilma Rousseff? Desculpas esfarrapadas darão base a um processo de impeachment?

As pedaladas foram o principal alicerce do processo de impeachment contra a presidenta que teve a sua admissibilidade votada no dia 17 de abril, na Câmara dos Deputados; em 12 de maio, o Senado ratificou o andamento do processo e afastou a presidenta Dilma.

A conclusão da perícia do Senado reforçou a tese da defesa da presidenta Dilma de que não houve crime de responsabilidade, ainda que ela tenha agido nos decretos para a liberação de crédito.

Recentemente o procurador do Ministério Público Federal no Distrito Federal, Ivan Cláudio Marx, arquivou o procedimento criminal que apurava as chamadas pedaladas fiscais do governo – atrasos nos pagamentos de valores devidos a bancos e fundos públicos.

Até mesmo o ministro do TCU, Augusto Nardes, afirmou que as manobras “não são tão importantes”. Para ele, o que vale é “a abertura de créditos complementares sem a autorização do Congresso Nacional”.

Adversários de Dilma utilizam agora as desculpas mais esfarrapadas para ratificar o processo de impeachment que chega à reta final. A senadora Rose Freitas (PMDB-ES) afirmaria em entrevista à Rádio Itatiaia: “Por que o governo saiu? Na minha tese, não teve esse negócio de pedalada, nada disso. O que teve foi um país paralisado, sem direção e sem base nenhuma para administrar.”

Agripino Maia (DEM-RN), em entrevista ao Estadão, afirmou o seguinte: “O crime de responsabilidade é a peça jurídica que é exigida para que o processo exista, mas a necessidade de troca de comando, de exaustão do modelo do PT é que levou a tantos votos para o andamento do processo.”

Ou seja, caros amigos e amigas navegantes, a ordem democrática – com o voto popular – foi reduzida a pó por insatisfação de alguns. Porque era preciso eleger sem a vontade popular um governo de homens brancos, poderosos e que dariam voz novamente aos setores conservadores desta sociedade.

Dilma está prestes a ser afastada definitivamente e o motivo agora tampouco interessa.

Tampouco interessa que as tão alardeadas pedaladas fiscais, este termo criado nas redações da velha imprensa – e feito arcabouço de comprovação criminal contra a presidenta da República – não seja sequer motivo de condenação em instâncias judiciais superiores como o Ministério Público Federal.

O que importa aqui é atirar ao lixo 54 milhões de votos e transformar a República brasileira numa indiscutível República de Bananas. O reflexo do silêncio das instituições a este golpe político está estampado nas capas dos grandes jornais do mundo; está denotado na ausência de Chefes de Estado na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio.

Procurem saber se Temer ou Serra recebeu o telefonema de algum presidente, congratulando-o pela ascensão ao poder? Os senhores não acham estranho que nenhum governante do mundo tenha dado apoio à presença de Temer no Planalto, a não ser o Macri, que sequer aqui veio, mas recebeu o Serra em Buenos Aires?

O processo de impeachment de Dilma Rousseff será amparado por desculpas esfarrapadas de uma maioria política que se apossou do poder a partir de um golpe. Que a história um dia possa reconhecer os fatos sob os interesses imediatos. E neste dia, ela, a história, será implacável.

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