Opinião

Mino Carta: “Um bando de corja”

Mino Carta: “Um bando de corja”

Mino Carta: “Um bando de corja” – Foto: Beto Barata/PR

O jornalista Mino Carta, em editorial da CartaCapital, expõe o degrado moral daqueles que dizem julgar a presidenta Dilma: “um bando de corja”.

Hoje me inclino às citações, e evocarei então uma definição do pai de meu caro amigo Políbio Alves Vieira, camponês na região de Vitória da Conquista. Dizia ele para identificar a quadrilha mais nefanda, o pior dos piores: bando de corja. Pois é do conhecimento até do mundo mineral que Dilma Rousseff está a ser julgada por um bando de corja, uma turma da pesadíssima que se atribui o direito de decidir o destino do Brasil.

O Direito, o assunto vem a calhar. Que vale observar a respeito de quem haveria de aplicar a lei e defender a Constituição? A impávida aquiescência da Suprema Corte diante de tais e tantas ofensas praticadas contra o bom exercício do Direito, inclusive por Sergio Moro e cia. Em país nenhum que se suponha civilizado e democrático algo similar acontece, mesmo palidamente aparentado. O Brasil é único na sua desgraça e no seu descalabro, como se não bastassem os dados da calamidade endêmica: mais de 60 mil homicídios por ano, pouco menos de 50% do território desservido de saneamento básico, 92% da população incapacitada ao uso correto do vernáculo.

 Tudo aquilo que os senhores da casa-grande conseguiram foi criar um país exportador de commodities. Nossos supostos capitalistas jamais se habilitaram a entender que o bem-estar do povo é o fato determinante do seu próprio êxito como empresários. E exatamente aquilo que um ex-metalúrgico entendeu ao promover o consumo, encarado como saída para a terra humilhada por quem manda.

Não são novas tais considerações diante do espetáculo desolador oferecido aos nossos olhos, a se acrescentar o esforço despendido pelo governo interino no sentido de aumentar o sofrimento de um povo espezinhado desde sempre. Aposta-se na sua resignação, como se a prepotência do senhor correspondesse à determinação dos fados. Neste meu retorno, cresce a minha convicção de que o golpe de 2016 é mais terrificante do que o de 1964, aquele desfechado contra a marcha da subversão até hoje retida na ameaça dos mentirosos e dos hipócritas. A ditadura teve o peculiar condão de me conduzir à melhor compreensão da serventia do jornalismo e de me estimular à esperança.

Vivo agora a desesperança mais pungente. Os ralos resultados até agora atingidos para colocar o País na rota certa foram inúteis. Em 64 a casa-grande não mostrou a cara e chamou os gendarmes para executar o serviço sujo. Acaba de tirar a máscara e faz, simplesmente, o que bem entende, conforme o figurino do barão medieval.

Mino Carta.

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