Blog do Mailson Ramos

Escola Sem Partido é ideia dos partidos de direita

Escola Sem Partido é ideia dos partidos de direita

Escola Sem Partido é ideia dos partidos de direita – Foto: Reprodução

A escola Sem Partido é mais um projeto da direita para sufocar a voz dos professores em sala de aula contra o que eles chamam de “doutrinação ideológica”.

No país das excrescências, a Escola Sem Partido é mais uma delas. O PL 193/2016, de autoria do senador Magno Malta (PR-ES), inclui nas diretrizes básicas de educação o projeto que visa a neutralidade política, ideológica e religiosa do professor em sala de aula.

Decreta, em seu artigo 5º, parágrafo I, que “no exercício de suas funções, o professor: não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias”.

Ratifica, nos parágrafos III e IV que o professor “não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas” e “ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, apresentará aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito”.

O mentor intelectual desta empreitada é o advogado Miguel Nagib, também diretor da ONG Escola Sem Partido. Miguel é articulista do Instituto Millenium reconhecido espaço de organização e difusão de ideias da direita brasileira, que reúne figuras como Rodrigo Constantino, Olavo de Carvalho, Luís Felipe Pondé e Reinaldo de Azevedo.

Em outras palavras, a Escola Sem Partido surgiria de ideais claramente direitistas e conservadores, atrelada a posições que se contrapõem à chamada “doutrinação ideológica” nas escolas brasileiras. Não nos espanta que, recentemente, em Curitiba, uma professora da rede pública de ensino tenha sido suspensa por abordar Marx em sala de aula.

Em agosto de 2015, o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN), titular da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, propôs uma lei que torna crime o “assédio ideológico” em ambiente escolar.

O projeto de lei visava alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para que seja incluído entre os direitos da criança e do adolescente “adotar posicionamentos ideológicos de forma espontânea, livre de assédio de terceiros”.

Estas medidas que julgam suprimir na escola a partidarização e as ideologias políticas são cortinas de fumaça para uma partidarização de direita, onde viceje o conservadorismo de outrora; porque reprimir o professor em sala de aula é o primeiro passo para a desconstrução de uma sociedade que sabe debater, interagir, opor-se.

Projetos como estes são um desrespeito total à integridade profissional do professor, à sua liberdade de expressão, à capacidade que ele tem de também educar. Nos confins deste país, onde o(a) professor(a) conserva a respeitabilidade de um pai ou mãe, quem poderia impedi-lo(a) de educar os seus alunos?

E diante da perspectiva do desconhecimento político e ideológico dos pais sobre determinados assuntos da sociedade, poderiam acaso estes alunos permanecer ignorantes, uma vez que ao professor seria vedado o direito de expor a sua opinião? O que representaria este atraso senão uma falha educacional numa inteira geração? Num país de gente que mal compreende a política, qual seria o impacto de uma geração que teve os seus professores amordaçados e impedidos de falar sobre política?

Como aluno, este colunista não abdicaria de uma só orientação ideológica, desde que feita sob debate. Na escola e na academia não há espaço para a supressão de uma ideologia e ascensão de outra: deve haver espaço para debate, profundo e reflexivo. Quando se imprime uma ideia de alteração funcional das atribuições do professor, cerceando com isso o seu direito de se expressar, o resultado é sempre catastrófico.

Tão excelsa é a capacidade do professor que a sua dignidade se expande além das esferas de tempo e espaço. Professor é sempre professor, não importa a idade, a distância, a crença política. Escola Sem Partido só poderia vir mesmo da direita reacionária brasileira, metida a protofascista. Nihil sub sole novi (Nada novo sob o sol).

7 Comentários

  • Matéria totalmente tendenciosa.
    Se querem pessoas pensantes e que debatam deixem que elas tirem suas próprias conclusões.
    Totalmente apoiado o projeto.

    • Caríssima Mariana, isso não é uma matéria. É um artigo de opinião. Ainda que fosse uma matéria (notícia), exprimiria uma opinião, afinal, os teóricos da comunicação já admitem que no jornalismo não há imparcialidade. O artigo acima é, portanto, uma perspectiva do autor sobre o assunto em questão. Com isso, o autor não impõe aos outros a sua opinião, apenas a coloca em discussão. É possível que discordem ou concordem, assim acontece nas democracias. Você apoia a ‘Escola Sem Partido’ e eu não. Por que eu sou tendencioso e você não é? Pense nisso!

  • Quando a esquerda abre a boca para falar asneiras muitos dizem amém, masse a direita quer neutralidade a esquerda e seus pseudos intelectuais se levantam.

  • Estas pessoas da direita, nada mais querem do que um povo burro e idiota, para engolir todas as mentiras que eles falam e utilizam para manusear o povo considerado sua massa de manobra.
    Um povo conhecedor da história, dos fatos, não entra em conversas mentirosas e não é enganado. Assim ficaria ruim para eles da direita dominar a massa. Disseram outrora que o comunismo come crianças
    e muitos do povo acreditaram na mentira deles e é isso que eles querem. Não sou comunista, nem capitalista, sou do bem, da igualdade, da distribuição de renda, da verdade e da justiça. Do Social.
    construir pontes e monumentos, depois que o ser humano foi priorizado e não enquanto os miseraveis estão famintos e sem condições nenhuma.

    • Eu acho errado mesmo isso de mordaça nos professores, como vou falar bem do excelentíssimo comandante Brilhante Ustra e mostrar como o comunismo matou e torturou milhões em todos os países que foram implantados, que Che ídolo de gerações era homofóbico e assassino?
      Realmente sou contra o escola sem partido.

    • Caro Antonio, faltou apenas dizer que você é de esquerda,pois claramente se você é a favor do justo não aceitaria qualquer tipo de polarização escolar, seja ela de direita ou de esquerda. Lembre-se que a esquerda também quer um povo burro, para que apenas eles tenham prosperidade no poder. Quanto a distribuição de renda, deveria falar de distribuição de oportunidades, pois tenho certeza que voc não distribui a sua renda com vizinhos ou até mesmo com estranhos.

    • Tu queres enganar quem chega de pseudo comunistas com dinheiro dos outros
      Excelente proposta quando estudei alunos respeitavam os mestres hoje não, invasão de escolas manipulados por esta esquerda retrógrada defensora de Cuba Venezuela.

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