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Cunha pede “segredo” em troca de mensagem

Cunha pede “segredo” em troca de mensagem

Cunha pede “segredo” em troca de mensagem – Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal encontrou diálogos entre Eduardo Cunha e Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez. Cunha pedia “segredo” sobre um dos assuntos tratados.

Saiu no iG:

Em mensagens a empreiteiro, Cunha fala em “segredo” e reforça suspeitas

A Polícia Federal encontrou vários diálogos com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nos celulares do ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo – segundo maior empreiteiro do País e delator da Operação Lava Jato. Em um deles, de 1º de abril de 2014, chamou a atenção dos investigadores o fato de Cunha confirmar a Otávio que atendeu a uma demanda da CNO (sigla para Construtora Norberto Odebrecht) para modificar um trecho de um projeto de lei “em segredo”. Confira o trecho do diálogo abaixo:

Otávio Marques: “Eduardo, estas modificações propostas pela CNO estão aceitas pelo Governo e a Câmara?

(1) não aplicação expressa do parágrafo 2º do art83 ao regime especial do parágrafo 10º do art 83;

(2) supressão do parágrafo 8º do art. 74,

Soube por eles: O ponto (1) acima estará alinhado entre o relator e a Fazenda, mas gostaria de assegurar que é isso mesmo!

Abs”

Eduardo Cunha: “Esse ponto 1 eu acertei, mas tem de ser em segredo. O segundo não

O relatório da PF não deixa claro qual o projeto de lei que os dois discutiram, mas reforça as suspeitas levantadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que o peemedebista atuava como “longa manus” das empreiteiras no Congresso. Uma das linhas de investigação contra Eduardo Cunha no STF é justamente sobre a suposta atuação do peemedebista para fazer lobby e cobrar recursos de empresas em diferentes projetos de leis e medidas em tramitação no Congresso.

Os investigadores também localizaram outros diálogos entre Cunha e o empreiteiro. Em um deles, ocorrido em setembro de 2011, o parlamentar conversa com Otávio sobre o envio de um “material”, que a conversa não deixa claro. Em outro diálogo, de fevereiro de 2014, os dois marcam um encontro na residência de Otávio Azevedo.

Atualmente, o ex-presidente da Câmara já é réu em duas ações penais acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão fiscal e fraude eleitoral por supostamente ter recebido propinas em contratos de navios-sonda da Petrobras e também por ter mantido o dinheiro das propinas em contas secretas e offshores na Suíça.

Além disso, ele é alvo de uma terceira denúncia, que ainda será analisada pelo Supremo, acusado de receber propinas em um esquema de corrupção envolvendo empresas que receberam financiamentos do fundo de investimentos do FGTS (FI-FGTS), que seria controlado pelo peemedebista por meio de seu afilhado nomeado vice-presidente da Caixa Fabio Cleto.

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