Blog do Mailson Ramos

Dilma mais forte do que nunca!

Dilma mais forte do que nunca!

Dilma mais forte do que nunca! – Foto: Ricardo Stuckert/PR

Liberta das amarras institucionais que a faziam ser apenas uma presidenta enclausurada, Dilma vive dias de intenso reencontro com a sua base social; os ataques continuam e são virulentos, mas ela se mostra disposta a lutar.

Dilma saiu do ostracismo palaciano, rompeu as barreiras da institucionalidade de seu cargo e gritou para o Brasil e o mundo que sofre um golpe de Estado. Por quantos dias esta atitude foi esperada? Afinal, golpe ela já sofreu desde outubro de 2014, quando, no limiar de uma nova vitória nas urnas, os seus adversários prometeram fazer o seu governo sangrar. Neste segundo mandato, ela não governou. Preferiu afastar-se de tudo e de todos para encontrar em si a centralidade para a resolução dos problemas do Brasil. E só encontrou mais e mais problemas.

Como já dizia este colunista em 21 de julho de 2015, Dilma precisava era de uma agenda popular. Precisava sair do campo das ideias e angariar apoio de quem a elegeu e estava, naquele momento, reticente. Distante de tudo, Dilma não percebeu sequer que o PMDB lhe armava uma perfídia, dessas que se trama no minucioso correr do tempo e com a atenção dos estrategistas da menor política. Foi enredada como se não tivesse forças para se libertar. Acenava ao Lula, seu mentor, mas este, por ora não podia ajuda-la.

E tudo começa a mudar quando se entende que não há mais jeito. O Brasil começa a entender as motivações e as maquinações da menor política durante a votação do impeachment na Câmara dos Deputados e aquele espetáculo pavoroso que fez enrubescer os brasileiros decentes e que não suportam o deboche com a coisa pública. Naquele momento, o golpe, em vez de adquirir pernas próprias, as teve quebradas, arrastando-se sofrivelmente até o Senado, onde a decisão também foi pautada por interesses políticos e nunca, jamais nacionais.

Na manhã do dia 12 de maio, a um dia do que se comemora a assinatura da Lei Áurea (e jamais a liberdade dos escravos) como se convencionou pregar, Dilma estava livre. Livre para dialogar, para assistir à montagem do governo interino e criticá-lo como o fez a maioria dos brasileiros. Ela tem dialogado como nunca com internautas, com os movimentos sociais, com os ministros exonerados, com todos aqueles que se permitem dizer: houve um golpe de Estado brando, sem armas e sem as forças militares, uma escaramuça tramada nas cercanias do Palácio do Planalto.

E foi este dizer que angariou apoio de artistas, políticos, intelectuais e uma força feminina marcada, nos últimos encontros de Dilma, pela capacidade de organizar e resistir, resistir e organizar. O silêncio das medidas políticas (institucionais) e judiciais contra o golpe foi um recurso frágil e de efeito pouco eficaz. Nada resolveria senão a mobilização popular em torno de Dilma e a certeza de que bandidos assaltaram o poder para enterrar a Lava Jato e retirar do Planalto uma mulher digna.

É neste momento, contudo, que surgem as reações do conglomerado oposicionista, formado por uma mídia setorizada, um núcleo político sem nenhum escrúpulo, que é capaz de aventar que a presidenta da República recebeu propina para pagar cabeleireiro. E como isto, amigo e amiga navegante, lhe parece muito tosco, os agentes do golpe trazem a bala de prata do Sarney’ que é a delação do Marcelo Odebrecht, estampada na capa da IstoÉ.

Quem possui o poder, neste momento, precisa barrar o crescimento de Dilma de duas formas: o primeiro é antecipar o prazo para a votação do impeachment no Senado e privar-lhe das possibilidades de defesa; a segunda é desconstruir, com a voz da mídia nativa, a imagem desta nova Dilma, forte como nunca. Os ataques devem ser feitos com bala de prata e calibre 100, para que acorde os sabujos e faça movimentar de novo a engrenagem golpista, enferrujada desde que Temer assumiu o poder. Mas agora não será tão fácil como antes.

Dilma, afastada, não será carta fora do baralho, como antecipou a mídia, utilizando aquelas que seriam as palavras da própria presidenta. Ela se tornará conteúdo de uma narrativa que não acaba agora, não se finaliza com o desfecho do impeachment no Senado. Para desespero dos que se apossaram do poder, as crises política e econômica também não se encerrarão aqui.  Em mais de dois anos de lutas insofismáveis contra a oposição e inimigos ocultos, Dilma mostra mais jogo de cintura do que Temer, que, nas primeiras demonstrações de rejeição, reclamou do tratamento recebido nas redes sociais.

Este governo golpista, insustentável, fará muito mal ao Brasil antes de se mostrar inepto. Exige-se, portanto, dos brasileiros honestos, que tenham a hombridade de rechaçar o ministério de corruptos e os seu artífice maior, Michel Temer, um homem que vendeu o país antes e para assumir a posição de presidente interino da República.

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