Blog do Mailson Ramos

Das sombras, Cunha continua comandando

Das sombras, Cunha continua comandando

Das sombras, Cunha continua comandando – Foto: Fabio R. Pozzebom/ABr

Existem claros indícios de que Eduardo Cunha continua presidindo a Câmara dos Deputados de sua nababesca residência oficial; é o mandato das sombras.

Parece título de filme de terror, mas não é. Eduardo Cunha, da nababesca casa oficial de presidente da Câmara, ainda que na condição de afastado, comanda tudo.

O afastamento imposto tardiamente pelo STF não impediu que Cunha lograsse a vingança de também afastar Dilma do seu poder.

E não o impede, de remotamente, comandar isso que chamamos de governo golpista.

Ele o faz através de indicações, de consultas e da força que exerce sobre Temer porque sabe muito. Um único sopro e adeus castelo de cartas.

Quando disse que retornaria a presidir a Câmara não foi uma jogada de marketing não. É que o rei das manobras traça planos para escapar da cassação.

O preposto que o substitui na presidência, Waldir Maranhão, tenta salvá-lo numa investida à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da casa.

Cunha não tem o cargo, mas tem um exército de asseclas que o mantém simbolicamente presidindo ainda que Maranhão ou qualquer outro substituto esteja sentado sobre a cadeira do presidente.

Logo após o afastamento, logo se falou em convocar novas eleições para o presidente da Câmara. Não vingou. Este mandato termina em fevereiro de 2017 e Cunha parece ter sufocado a ideia dentro do círculo de influência, esclarecendo que o cargo é seu porque deve escapar da cassação.

Falou-se em destituir Maranhão logo após aquele pedido de anulação da sessão do impeachment; nunca atacaram um deputado com tal ferocidade.

Dentro e fora do parlamento, no senado e na imprensa, o presidente interino da Câmara foi reduzido a pó de traque até mudar de ideia e desfazer a anulação.

Desfeito o “mal-entendido”, aceitaram Waldir Maranhão numa boa. Ele não preside todas as sessões, mantém um espaço reservado aos “amiguinhos do Cunha” para fazê-lo e utiliza a caneta de presidente para manobrar em favor do seu dileto antecessor.

Temer escolheu para liderar a bancada do governo na Câmara o André Moura, fiel escudeiro de Cunha. A votação da meta fiscal em sessão do Congresso Nacional, na semana passada, mostrou que os deputados do círculo do Cunha continuam seguindo a cartilha.

O amigo e a amiga navegante devem se perguntar por que tudo isso está acontecendo. A resposta é muito simples: o STF está em silêncio e continua em silêncio, não mais como a última trincheira da cidadania, mas como a última trincheira derrubada da cidadania.

A política deste país ainda está subjugada nas mãos de Eduardo Cunha. Aos interessados que um dia rasgaram elogios para ele, hoje resta a vergonha.

A vergonha que muitos começam a sentir do governo usurpador.

E pela volatilidade dos sentimentos, já esta vergonha se tornará ojeriza, aversão. Não será, entretanto, o suficiente para consertar o erro cometido.

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