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Público: Um governo sob suspeita

Público: Um governo sob suspeita

Público: Um governo sob suspeita – Foto: José Cruz/Agência Brasil

Portal de notícias de Portugal publica reportagem em que evidencia o envolvimentos dos ministros do governo Temer em escândalos de corrupção e indiciamentos na Justiça.

Do Público:


Um Governo sob suspeita e a contas com a justiça

O novo elenco governativo brasileiro, constituído exclusivamente por homens brancos, integra pelo menos doze suspeitos a contas com a justiça, com Michel Temer à cabeça. Como nove dos seus ministros, o chefe de Estado interino foi mencionado na Operação Lava Jato, que investiga a rede de corrupção em torno da estatal petrolífera Petrobras: em causa estão pagamentos de subornos de milhões de reais e tráfico de influências.

Na sua primeira declaração ao país na condição de Presidente, Temer referiu-se à Operação Lava Jato como uma “referência” no combate à corrupção, mas não um “factor impeditivo” da nomeação da sua equipa.

Com a ida para o Governo, três ministros passaram a ficar à margem da justiça comum, ganhando o chamado “foro privilegiado” que remete os seus casos directamente para o Supremo Tribunal Federal (STF): Eliseu Padilha (Casa Civil), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Henrique Alves (Turismo). Juntam-se assim aos colegas Romero Jucá (Planeamento) e Moreira Franco (que não é ministro mas foi nomeado assessor especial de Temer) – os cinco estão a ser investigados por corrupção na Lava Jato. Jucá, que substituiu Temer na presidência do PMDB, partido a que pertencem todos os nomes acima, está ainda sob investigação na Operação Zelotes.

Como escrevia a Folha de S. Paulo, “todos eles podem ser abatidos pela Lava Jato se as investigações continuarem no mesmo ritmo com que a operação começou, em Março de 2014”. Todos os magistrados ligados ao grupo de trabalho estão já funcionar no pressuposto de que “a cúpula do PMDB vai tentar fazer alguma manobra para salvar” os seus homens – “foi aquilo que o PT, Dilma e o ex-Presidente Lula não conseguiram: neutralizar ou reduzir os danos da Lava Jato”, acrescenta o diário.

Também gozam de estatuto privilegiado os ministros Bruno Araújo, Raul Jungmann, José Serra, Mendonça Filho e Ricardo Barros, que se incluem na lista de pelo menos 248 políticos que eram pagos pelas empresas construtoras já condenadas na Lava Jato, ou que foram mencionados por delatores como o “doleiro” (quem negoceia divisas no mercado paralelo) Alberto Youssef ou o senador Delcídio Amaral – que também apontou o Presidente interino como participante no esquema.

Mas não é só no inquérito mais mediático do Brasil que o novo Governo está “representado”. O novo ministro da Educação e Cultura, Mendonça Filho, e o ministro do Desporto, Leonardo Picciani, foram investigados por financiamentos ilícitos e irregularidades nas contas das suas campanhas eleitorais.

Outros dois novos ministros, ambos antigos prefeitos da cidade de São Paulo, estão também sob investigação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de crimes de “improbidade administrativa” (que designam actos ilícitos praticados por funcionários públicos): Gilberto Kassab, do PSD, que ficou com a pasta das Comunicações, Ciência e Tecnologia, e José Serra, fundador do PSDB, ministro dos Negócios Estrangeiros. Os casos referem-se às suas actividades de autarca – mas o nome de Serra consta ainda num outro processo em curso no Supremo relativo ao período em que foi ministro de Fernando Henrique Cardoso. E Kassab é arguido num outro processo que corre em São Paulo, acusado pelo Ministério Público de envolvimento num esquema de subornos em torno de uma feira.

O milionário Blairo Maggi, que ficará à frente da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, viu o Supremo Tribunal Federal arquivar, esta semana, o inquérito em que estava citado por lavagem de dinheiro e corrupção, no âmbito da Operação Ararath. Eliseu Padilha, da Casa Civil, livrou-se em 2015 de um inquérito por peculato contra ele no STF. Maurício Quintella, o novo ministro dos Transportes, Portos e Aviação, interpôs um recurso depois de ser condenado por participar num esquema de desvio de dinheiro da merenda escolar, em 2014, quando era secretário da Educação do estado do Alagoas.

Já o novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, viu negado um pedido de arquivamento do inquérito em que responde por corrupção em contratos de publicidade da administração municipal de Maringá, no Paraná.


4 Comentários

  • Quanto Dilma nomeou Lula para ministro, Gilmar (sempre ele) barrou, porque seria para dar foro privilegiado. E agora, esses que passaram a tê-lo, qual a alegação? Juristas do Brasil, onde estão?

  • como fica claro o Judiciário comprometido com a corrupção e o golpe no Brasil, só perseguem que for oposição da diereita….é deprimente, estou fazendo um album para deixar história para meus netos e suas descendências, como foi organizado este golpe e por quem

  • É!…tá difícil!!!…Vamos ter que importar anjos e santos?,ou vamos jogar com as cartas que temos?,além de tentarmos ajuntar,do País os Pensadores e Empresários,para mais atualizados e possíveis comportamentos?…Vamos continuar com utopias e hipocrisia?…

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