Blog do Mailson Ramos

Temeridade, o teu nome é Temer

Temeridade, o teu nome é Temer

Temeridade, o teu nome é Temer – Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Não se pode esperar muito de um homem que urdiu, com os seus aliados, um golpe de Estado. Não há esperança sobre um governo que nasce com a marca da corrupção. Temeridade teu nome é Temer.

Nos últimos dias, muitos amigos me perguntaram o que eu esperava do governo Temer. Não escondi minha antipatia a um vice-presidente que ao lado de seu maior comparsa – Eduardo Cunha – urdiu um escancarado processo de sabotagem ao governo para desestabilizá-lo e comandou o desembarque de seu partido, às vésperas da votação do impeachment que afastaria a presidenta eleita e o colocaria no poder.

Não apenas por isso. Tenho motivos claros para achar que Temer é um simulacro, uma farsa, uma representação da realidade, uma simulação de bom político. Porque um bom político não venderia até as calças para dar corpo a um governo hegemônico onde pretos e mulheres não têm direito de participação.  Disse a um amigo que a escolha do ministério de Temer é a representação mais clara da sua predisposição a renegar a diversidade.

Não se pode esquecer também do ministério de notáveis corruptos que ele formou. É ficha corrida para ninguém botar defeito. Dentre eles algumas figuras marcadas que aparecem na Lava Jato ou na Zelotes. A maioria deles se notabilizou por ter os seus nomes citados em esquemas de propinas. O Brasil que daria uma guinada imediata contra a corrupção dentro do governo viu o chamado presidente interino convocar uma horda de corruptos para comandar o país ao seu lado.

Se bem que o próprio Temer é citado na Lava Jato. E foi condenado a pagar R$ 80 mil por doação acima do limite para campanha de 2014, quando disputou a vice-presidência pela chapa de Dilma Rousseff.  O grande conchavo que se formou há mais de um ano para derrubar a presidenta Dilma formou na verdade um governo onde o ministro da Educação é Mendonça Filho, do DEM, partido que foi à justiça contra o Prouni e contra o sistema de cotas. Tem o Geddel, este que se vendia por Whisky, segundo conversa de Léo Pinheiro da OAS, interceptada pela Lava Jato. Não precisa nem falar do Padilha e do Jucá.

Temer lançou uma frase, com o apoio da mídia, de que era preciso esquecer a crise e trabalhar. Durante 15 meses o governo da presidenta Dilma foi bombardeado por notícias negativas sobre a crise. A crise foi o prato principal dos telejornais e a sobremesa dos políticos para confirmarem o voto pelo afastamento da petista. De repente – e como num passe de mágica – a palavra crise cai em desuso por interesse de meia dúzia e porque interessa ao novo-velho governo que assim o seja. Estes políticos não estão brincando apenas com a produção de sentido ou o marketing. Estão afrontando o país.

O MinC foi dissolvido. Não se constrói um país sem a sua cultura, afinal de contas, a cultura, ainda que em tempos de globalização, representa identidade. O Brasil não poderá sobreviver sem as marcas artísticas – originais e legítimas – que o fazem ser Brasil no mundo. E destruindo a cultura e todos os projetos que nos últimos 13 anos vingaram, este governo lança às chamas as digitais de nossa brasilidade. E vem mais corte por aí. O nome deste homem é Temer. Temeridade.

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