Blog do Mailson Ramos

Temer jamais passará de um golpista

Temer jamais passará de um golpista

Temer jamais passará de um golpista – Foto: Marcello Casal Jr/ABr

O golpe fechou um ciclo e conseguiu apear a presidenta da República de seu mandato para entregá-lo a Michel Temer, aquele que jamais passará de um golpista.

Quarta-feira, 11 de maio de 2016. O golpe arrestou as forças democráticas e solapou a Constituição Federal de 1988. Em conluio com a mídia hegemônica, a elite empresarial e políticos da oposição, as forças antipovo mais uma vez alcançaram os seus intentos para destituir uma presidenta eleita com 54 milhões de votos. Acusam-na de cometer crime de responsabilidade fiscal que não houve; e são eles os mesmos derrotados nas ultimas quatro eleições presidenciais.

O Brasil que pensa acordar melhor na quinta-feira será um país de utopias vãs e arrocho econômico anteriormente proposto pelo vice Michel Temer, naquele famigerado áudio vazado pelo WhatsApp. Eles não terão nada a oferecer ao Brasil senão cortes e recessão para, com o condão da grande mídia, recriar a ideia de que é preciso fazer sacrifícios para sair da crise. Sabemos quem vai lucrar com isso. E não será o povo brasileiro.

A ânsia de ver logrado o golpe atropelou as instituições, rasgou a Constituição Federal, conspurcou a legalidade, viciou por completo o sistema político. Sairemos deste dia muito piores do que aquele 1º de abril de 1964, quando declararam vacante a presidência da República. A presidenta Dilma Rousseff será apeada de seu mandato com a virulência intermitente dos seus algozes: os mais corruptos, os mais traidores, os mais golpistas.

As horas amargas da pressão política nos faz ver que o Brasil está dividido e é uma divisão dialógica, marcada por dois polos partidários; vivemos também a recrudescência do conservadorismo e da extrema-direita, aquele pensamento monolítico que não permite ou tolera outras ideologias. Hoje se fala abertamente na destruição dos partidos de esquerda. De 2014 até aqui, os acontecimentos ruins vem em avalanches.

Não fosse a internet e os simples veículos de informações que são os blogs, sites e mídias sociais, há muito tempo a presidenta teria sido arrancada de sua posição. Se há enfrentamento no nível das ideias é graças à tecnologia e ao espírito de desafio à mídia hegemônica, esta frente ideológica e partidária que funciona dentro das redações. Há indícios de que jornalistas sofreram pressões para apoiar este golpe macabro ou simplesmente silenciar. Não é, entretanto, a primeira vez que isso acontece.

É mais uma vez a mídia hegemônica cumprindo a torpe tarefa de apoiar um governo ilegítimo por motivos de sobrevivência. Ou para se posicionar acima dos interesses coletivos, privilegiando os monopólios e oligopólios já existentes. Mas o preço será cobrado. Desta feita não mais em planos simbólicos, mas porque a população descobriu quem são os inimigos do povo. A produção de sentido não mais condiciona o telespectador ou leitor ao cativeiro das ideias. A luta faz o guerreiro. Nos últimos anos, o Brasil aprendeu a rebater o que se lhe impõem.

Não passará muito tempo até que o Brasil perceba em Temer o simulacro que ele é: uma representação fantasmagórica de bom administrador. Ele é nada mais do que um fantoche do Eduardo Cunha (que sabe muito e pode abrir a boca), dos empresários, políticos e homens influentes pagadores de sua ascensão. Mas não vai demorar a cair. Golpistas não se sustentam. O Brasil, por sua vez, não pode aceitar na presidência da República um traidor. Se Temer traiu a Dilma, não pensará duas vezes antes de trair o povo. É só esperar!

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