Blog do Mailson Ramos

A República do Grampo nasceu em Curitiba

A República do Grampo nasceu em Curitiba

A República do Grampo nasceu em Curitiba – Foto: Reprodução

Lá é a sede do grampo em mictório de preso; e de lá vieram as ordens para grampear o Lula e divulgar as conversas entre ele e a presidenta da República.

Surpresa não há. O grampo no gabinete do ministro do STF, Luís Roberto Barroso, foi mais uma prova de que a expertise da arapongagem se espalhou pelos quatro cantos da República.

E a origem desta atmosfera de filme da máfia nos remete à Curitiba onde se deixou de explicar alguns fatos estranhos como o grampo no mictório do Alberto Youssef. A investigação sobre este grampo não evoluiu e não se descobriu quem foram os responsáveis.

Passou despercebido pela opinião pública em sua irracional caminhada de idolatria ao juiz Sérgio Moro, aos procuradores messiânicos e aos espetaculares delegados da PF.

Somente há pouco se soube que a Operação Lava Jato teria nascido de um grampo ilegal, o que fundamentaria a doutrina dos frutos da árvore envenenada (toda a prova originada a partir deste grampo seria ilegal).

Depois o juiz Sérgio Moro interceptou conversas entre o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff. Este foi um episódio de grotesca arapongagem porque contou com a participação especial da TV Globo e do seu Jornal Nacional para divulgar um feito inconstitucional.

Uma frase da presidenta Dilma, proferida na cerimônia de nomeação do ex-presidente Lula para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, marcou, com efeito, a trágica violação de direitos constitucionais: “Se fazem isso com a presidenta da República, o que não farão com o cidadão comum?”

O cidadão comum não é o Luís Roberto Barroso. Mas é preciso compreender a gravidade do fato de que um ministro da Suprema Corte foi grampeado em seu próprio gabinete.

E este modus operandi pode não ter relação alguma com os fatos que ocorreram ou foram autorizados em Curitiba, mas a fórmula, a essência nasceu lá.

Não se pode negar que o momento é de extrema fragilidade das instituições. Dizer que elas estão funcionando é bom para a imagem do Brasil. Entretanto, nos esquecemos de perguntar de que modo elas estão funcionando.

E o mais terrível de toda esta história é que nada se apura. Agora muito menos. Vê-se constituir uma república onde os grampos são meras representações da relação entre poderes, baseadas em chantagens, pressões externas e nada mais.

1 Comentário

  • Noam Chomsky, importante linguista norte-americano, afirmou que o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff é um “golpe brando” liderado por uma “gangue de ladrões.

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