Blog do Mailson Ramos

Queda de Cunha põe a oposição em pânico

Queda de Cunha põe a oposição em pânico

Queda de Cunha põe a oposição em pânico – Foto: Lula Marques/Agência PT

A queda de Eduardo Cunha será uma prova de fogo para os seus aliados; a oposição em silêncio faz de conta que nada está acontecendo. Descaradamente.

O silêncio da oposição é mórbido. Ninguém se posicionou e se o fez, tratou de ratificar a decisão do STF com a desfaçatez digna de quem sempre esteve ao lado de Eduardo Cunha e referendou os seus planos de poder.

De bandido necessário a barril de pólvora, Cunha é também a caixa preta que jamais poderia ter caído nas mãos da justiça, para o bem do gangsterismo político na Câmara dos Deputados.

O que ainda não ficou bem explicado foi o tempo desperdiçado pelo STF. Se desde dezembro havia provas suficientes para afastar Eduardo Cunha – como, aliás, aconteceu ontem (5) – por que os ministros não o fizeram anteriormente?

O presidente do Supremo, ministro Ricardo Lewandowski afirmou que o tempo do STF não é o da política e nem o da mídia. Este tipo de resposta não alivia a crise, não traz reflexão alguma e é, sob o ponto de vista da conjuntura dos poderes, um achincalhe.

O STF observou de longe o fogo a destruir o capinzal seco e acabar com toda a fazenda. E não percebeu que o fogo fustigava as suas próprias togas, contribuindo para a amplificação das chamas.

Com esta decisão, o impeachment perde força, embora seja um acórdão, um processo inexorável que resultará no afastamento da presidenta Dilma Rousseff. Se o Cunha fosse afastado antes da votação da Câmara, muito provavelmente o resultado seria outro.

No momento, o eventual governo Temer teria um ponto positivo com a ausência de Cunha, mas também teria uma Câmara dos Deputados sem as manobras regimentais que aprovam qualquer coisa segundo o desejo do achacador-mor.

Logo após o afastamento, alguns aliados de Cunha se pronunciaram. Era um pânico sem precedentes. Políticos como ele não têm entranhas, portanto, vai entregar meio mundo na primeira oportunidade.

Ainda ontem, o ministro do Supremo, Luiz Edson Fachin, aventou a possibilidade de analisar o pedido de prisão preventiva de Cunha.  O império do achaque estará próximo do fim quando o Cunha começar a usar a tornozeleira eletrônica.

Já começa a se vislumbrar a possibilidade de anulação do processo de impeachment alegando-se que ele foi conduzido sob desvio de poder do presidente da Câmara.

Nesta sexta-feira (6) a imprensa internacional referendará tudo o que já disse sobre o golpe. A prisão de Cunha é apenas mais uma comprovação de que tudo foi fruto de uma grande vingança.

E a oposição em silêncio. Descaradamente.

2 Comentários

  • Partidarismo’ de mídia no Brasil deu peso a imprensa internacional, diz colunista da ‘Economist’
    Michael Reid “ considerar a manobra constitucional uma má ideia, também adota uma posição bastante crítica em relação ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha. “Para quem vê de fora, Cunha tem muito ao que responder e deveria ser afastado do Parlamento até que as acusações contra ele fossem investigadas, até por uma questão de credibilidade do processo”. agora é tarde..o Judiciário esperou o tempo necessário para concretizar suas tendências

Deixe um Comentário!