Blog do Mailson Ramos

As mães que venceram o retrocesso

As mães que venceram o retrocesso

As mães que venceram o retrocesso – Foto: Reprodução

No dia das mães é dia de relembrar as lutas contra o retrocesso. Porque às mães foi concedida uma centralidade nas políticas sociais. E isso mudou o país.

Num tempo não muito distante nos deparamos com manchetes estarrecedoras de famílias nordestinas vivendo de maneira sub-humana. Mães que já não sabiam como alimentar os seus filhos, senão com garapa (água com açúcar) ou pequenos répteis e roedores do sertão. Não faz muito tempo a imagem da mulher sertaneja nos remetia à Sinhá Vitória, de Vidas Secas (Graciliano Ramos), um personagem sofrido, massacrado pelas dificuldades de um ambiente hostil.

Os governos se sucediam sob a égide de um progresso voltado para o sul e o sudeste do país, marginalizando as sofridas senhoras nordestinas e as suas lutas diárias. O progresso nos planos dos governos anteriores pautava o crescimento do bolo para a sua consequente divisão em partes iguais para a sociedade. Deste bolo, as mães nordestinas jamais provaram. O problema não era dar volume à massa, mas o momento da divisão.

Pelo estigma da ineficácia do poder público, quantas mães perderam os seus filhos antes do primeiro ano de vida; quantas crianças já nasciam desnutridas e fadadas à morte, para serem enterradas em caixões de madeira feitos por algum carpinteiro porque os pais não podiam comprar uma urna funerária? Quantas mães morreram à míngua, a caminho das fontes de água, exauridas da vida difícil que o sertão lhes impingia? Onde estava o Estado? Não estaria por acaso alimentando o mercado e as necessidades do FMI?

O sol a pino reflete a silhueta de uma senhora andando a caminho de um açude; as pernas firmes, mas cheias de varizes não escondem a tragédia da vida sofrida no sertão. Carrega na cabeça uma vasilha de água e sonhos de abandonar aquele lugar. Mas um novo governo lhe propõe permanecer ali mesmo e enfrentar as adversidades com mais investimento. Foi não somente uma luz no fim do túnel – cercada de muita desconfiança no início –, mas a grande revolução familiar no interior do Brasil.

A figura da mãe passou a ocupar a centralidade nos projetos sociais do governo federal. As mães passaram a ter maiores responsabilidades para com os seus filhos e concederam a eles melhores condições de vida. Somente um governo de bases sociais tão sólidas seria capaz de criar o Fome Zero e o Bolsa Família para combater a miséria em lugares onde o Estado jamais conseguiu por o pé.  Isso não se pode negar.

Enquanto as mães adquiriam um novo sentido na construção deste novo Brasil, a vida das suas famílias se alterava em igual proporção. Há mães que jamais esperaram ver os seus filhos entrarem na universidade. Estas mães são aquelas que se sentem representadas por uma filha que, ao se formar, ergue uma enxada como símbolo do trabalho daqueles que a precederam. São as mães, donas de casa, que leem em tipos garrafais os cartazes dizendo: “Sou filho de dona de casa e pedreiro e estou me formando em Direito”.

As mães, em suas figuras carinhosas, ainda que imponentes e rigorosas, enxergam um Brasil com democracia solapada mais uma vez pelos interesses de outrora. Aqui não nos esquecemos das mães que tem os seus filhos desempregados ou que tem sofrido com os reflexos da crise econômica. Mas também não queremos nos esquecer de todos aqueles que abandonaram a fome e a miséria, pois, ingratidão é coisa que mãe nenhuma ensina.

As mães que venceram o retrocesso não o querem de volta. Muitas delas ainda precisam de auxilio. A maioria alcançou patamares que jamais esperou alcançar. Na próxima quarta-feira (11), o senado poderá afastar a presidenta Dilma Rousseff. O retrocesso bate à porta como jamais se viu nos últimos quatorze anos. E desta feita, não somente as mães serão as vítimas.

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