Blog do Mailson Ramos

Nos seus bosques têm mais hipocrisia…

Nos seus bosques têm mais hipocrisia...

Nos seus bosques têm mais hipocrisia… – Foto: NP

A sede de afastar a presidenta Dilma a qualquer custo, mesmo sem crime de responsabilidade, faz a turma do verde e amarelo conclamar a volta de Cunha. É muita hipocrisia.

A hipocrisia que viceja no Brasil nasce em terreno fértil umedecido pela mentira. As manhas e artimanhas urdidas sob o verniz da legalidade embrulham o estômago. O Brasil se transformou no país da desfaçatez, onde se apregoa a justiça em nome da injustiça; não somos somente uma republiqueta de bananas – que ignora o voto popular e a democracia –, mas também uma terra onde os interesses hegemônicos falam mais alto do que as leis e a própria Constituição.

Não é mais segredo para ninguém que aqui se urde um golpe de Estado. O golpe frio – tramado sem armas e com o auxílio de poderes institucionais – destitui do mandato democrático a senhora presidenta da República, Dilma Rousseff, sem mais que haja contra ela a comprovação do crime de responsabilidade do qual lhe acusam os seus detratores.

A hipocrisia faz desvelar sentimentos antagônicos e que por si só determinam a viciosidade do processo de impeachment, este dispositivo constitucional que foi utilizado de maneira errônea para apear a própria democracia e servir ao fim de chantagens e vinganças perpetradas por Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados.

Eduardo Cunha é aquele deputado das contas na Suíça, das propinas, das chantagens e manobras na Câmara para enfiar goela abaixo do povo brasileiro os projetos de poder de sua horda. Pois ainda ontem (9), no Twitter, levantaram a tag “Volta Cunha”, após a decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, de anular a tramitação do impeachment. Pediram a volta de um réu à cadeira de presidente da chamada Casa do Povo. Vejam os amigos e amigas navegantes em que ponto chegamos.

Waldir Maranhão foi achincalhado num dia muito mais do que Eduardo Cunha nos quinze meses em que presidiu a Câmara dos Deputados. Isso mostra que a proteção ao processo de impeachment é feito com virulência, até mesmo, creiam os senhores e senhoras, pelo juiz Sérgio Moro, através de sua página oficial no Facebook. Algum desavisado pode dizer que a página não é administrada por ele, mas por sua esposa – o que necessariamente dá na mesma coisa.

A palavra imparcialidade já não é utilizada há muito tempo, nem mesmo no Judiciário. Está às moscas. Quando um juiz decide algo contra o governo, pode vasculhar as suas redes sociais e lá não será difícil encontrá-lo numa destas manifestações de verde e amarelo, posando contra a corrupção. Não há mais lisura nos processos, não há mais independência, não há mais decisão incontaminada.

O Brasil vive dias tão obscuros quanto a intervenção militar de 1964. Naquele período, a ação dos generais foi muito incisiva e não deixou margem para discussões: os militares deliberaram a queda do governo de João Goulart – primeiro por via de conspiração e depois abertamente. Agora o Brasil vive um tempo de manhas e artimanhas, onde a hipocrisia cria cortinas de fumaça: para esconder os golpistas, os seus interesses escusos, os desejos muito bem definidos da elite, a cova onde serão enterrados os direitos conquistados de 2002 até aqui.

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