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Temer não governa; nem de um jeito, nem de outro

Temer não governa; nem de um jeito, nem de outro
Temer não governa; nem de um jeito, nem de outro – Foto: Valter Campanato/ ABr
As dificuldades de Michel Temer para montar uma base diante da possibilidade do afastamento da presidenta Dilma Rousseff são evidentes; quem o apoia no queda da presidenta parece não querer participar de um futuro governo.

Além da onda de protestos que o acerca – e que vez por outra o faz sair acoelhado no banco traseiro do carro, em meio às manifestações – o vice-presidente Michel Temer anda com dificuldades de formar uma base para que possa governar, caso a presidenta Dilma seja afastada pelo Senado.

No mundo da política as ciladas são tão naturais quanto qualquer outra ação advinda de quem nela e com ela convive. E é esta a artimanha do PSDB para chegar ao poder em 2018; vão apoiar a queda de Dilma, mas não apoiarão (ao que parece, e com exceção do Serra) um governo Temer.

Assim, deixariam o novo governo na mesma posição do atual, sem possibilidade de aprovar medidas no parlamento. E sepultariam a ideia de que o governo é do PMDB e do PSDB. Os tucanos mantêm os olhos voltados para 2018 e deste projeto não abrem mão.

Da mesma maneira, o PSB, que tem influente número de deputados e senadores no Congresso, já acordou que não participará do governo Temer, também visando as próximas eleições presidenciais. Ora, como foi dito aqui outras vezes, o governo Temer já nasce morto e quem vai tentar nutri-lo é o Skaf e os seus amiguinhos da Fiesp. Em vão.

O impeachment, na narrativa midiática e parlamentar, seria o prólogo de uma nova história. Se o amigo ou a amiga navegante aderiram a este conto, melhor rechaçar a ideia agora: o governo Temer será a continuação malfeita do governo Dilma com sérios agravantes em algumas áreas.

Trabalhistas podem tirar o cavalinho da chuva. Basta ver com que sindicatos o Temer dialoga. É com o Skaf que ele se reúne por mais de quatro horas no Palácio do Jaburu. E depois com o Serra, aquele que pariu o projeto de entrega do pré-sal às multinacionais.

Todo o apelo que dele vier é nada mais do que um pedido de auxílio. O primeiro será ao povo, o segundo aos políticos que lhe voltarão as costas e o terceiro à mídia, aquela que costuma cuspir fora os que não mais lhe interessam.

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