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Se quiserem podemos tirar a “força” à força

Se quiserem podemos tirar a “força” à força

Se quiserem podemos tirar a “força” à força – Foto: Reprodução

O jornal O Globo editou imagem da presidenta Dilma em sua matéria de primeira página, suprimindo da imagem a palavra “força” gravada na fuselagem do avião da Força Aérea Brasileira.

O jornalista Fernando Brito, no Tijolaço, chamou a atenção para mais uma destas supressões jornalísticas que são a representação da mídia favorável ao golpismo. O jornal O Globo suprimiu de sua matéria de capa uma imagem que deixava transparecer a palavra Força, de “Força Aérea Brasileira”, gravada na fuselagem da aeronave em que Dilma foi retratada.

São as coisas típicas de um jornalismo dito imparcial e que, para não deixar transparecer a parcialidade evidente, suprime símbolos de produção de sentido. Mas não adianta retirar de Dilma a força que ela inevitavelmente conseguiu. É inegável que o sonho golpista mergulhou nas utopias vãs de ídolos efêmeros. E de lá não sairá para o bem da democracia.

Neste golpe de 2016, com provas fartas da interferência midiática no processo político, a sedução pelo poder se exprime em violentas doses de parcialidade, desabonadas dos princípios éticos editoriais que são incensados dia e noite, sobretudo nas Organizações Globo.

Qualquer desavisado haverá de concordar que a mídia não deve tomar partido. Ora, mas foi somente o que ela fez desde as eleições de 2014! Sem se esquecer de que antes do pleito eleitoral, a Veja já havia arrancado milhares de votos de Dilma com a famigerada capa “Eles sabiam de tudo”.

O Globo editou a imagem não porque queira parecer isento. Não. É porque o lugar de fala dele e de todos os outros jornalões é numa posição antigovernista; o discurso de O Globo, em sua essência, remete às classes abastadas que desfilaram de verde e amarelo pedindo a cabeça da Dilma e do Lula.

O que eles querem é mostrar, como a IstoÉ, uma mulher descontrolada ou como afirmou a Folha, em seu editorial, uma governante que já não governa mais. É para criar símbolos de que Dilma está debilitada não só como mandatária, mas pessoal e fisicamente. E este símbolo O Globo faz questão de manter.

Entretanto, ainda que a edição de O Globo tenha arrancado a palavra “força” à força, Dilma e seu governo estão virando o jogo. Parece muito claro que o relatório da Comissão de Impeachment vai recomendar o afastamento da presidenta. Cortina de fumaça: na Câmara, os golpistas não têm e não terão os 354 votos.

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