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Paradoxos: Relação Globo x Militância, por Alex Hercog

Paradoxos: Relação TV Globo x Militância, por Alex Hercog

Paradoxos: Relação TV Globo x Militância, por Alex Hercog – Foto: Reprodução

A relação entre a militância de esquerda e a TV Globo não é apenas de conflitos, mas também de paradoxos. Não é preciso destruir a Globo, mas destruir o oligopólio midiático que se precipita e esmaga a democracia.

O site Nossa Política publica do Facebook de Alex Pegna Hercog uma interessante análise do que tem sido a cobertura da TV Globo sobre o golpe ou aquilo que eles chamam de impeachment e a relação da militância de esquerda com a emissora dos Marinho.


Pelas minhas contas, em 2016 já se foram 164.160 minutos de programação na TV Globo. Tirando as novelas (com 10% de atores negros) e o futebol (com jogo às 22h da noite, por imposição da emissora), o restante da programação costuma se dedicar a criar uma narrativa política desfavorável ao governo e de apoio ao golpe – que eles chamam de impeachment. E dos mais de 164 mil minutos de conteúdo, foram destinados 6 minutos, no último domingo, para exibir um discurso oposto ao da emissora. A Globo vai dizer: “Democracia é isso”. Antes de voltar à sua programação normal.

Do lado de cá, em 2016, foram 114 dias gritando “o povo não é bobo, abaixo a rede Globo”. E 1 dia compartilhando e vendo a Globo de forma orgástica, só porque o nosso discurso estava passando no Faustão. Gritamos “Fora Globo” e ligamos na Globo pra ver se a Globo exibiu a gente gritando “Fora Globo”.

Ou seja, de um lado: a Globo não é boba. Do outro, nós ainda nos importamos muito com a Globo. Por um motivo simples: a Globo é importante. Fala e desinforma milhões de pessoas diariamente. Constrói as narrativas que serão estudadas – e desconstruídas – daqui a 20 anos, quando os professores de História ensinarão aos estudantes sobre o Golpe de 16.

Traduzindo essa contradição paradoxal da nossa relação com a Globo para o “militês”: não é preciso acabar com a Globo, é preciso acabar com o oligopólio midiático. É preciso regulamentações e políticas públicas que façam com que cheguemos em 2030 com os diversos discursos da sociedade sendo representados nos meios de comunicação. Sem meia dúzia de famílias com a hegemonia dos meios e, consequentemente, do discurso hegemônico.

Para que a gente não precise comemorar 6 minutos de representatividade.


Alex Pegna Hercog é relações públicas.

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