Blog do Mailson Ramos

Michel Temer deu um tiro no próprio pé

Michel Temer deu um tiro no próprio pé

Michel Temer deu um tiro no próprio pé – Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Se a intenção de Michel Temer, ao desembarcar o PMDB do governo, era angariar mais votos a favor do impeachment, acabou dando um tiro no próprio pé.

O PMDB desembarcou do governo, mas não por completo. Possivelmente até a votação do impeachment boa parte dos peemedebistas continuará no governo, desafiando o presidente da legenda, o vice-presidente da República Michel Temer.

Primeiro porque estes políticos estão acostumados à fisiologia do PMDB. Assim foi desde a redemocratização. Lutar contra esta dependência – e desembarcar de maneira precipitada do governo – foi uma decisão sem a anuência dos grandes líderes do partido.

Renan Calheiros, por exemplo, deixou claro que esta decisão traria efeitos muito negativos: “Evidente que isso precipitou reações em todas as órbitas: no PMDB, no governo, nos partidos da sustentação, nos partidos da oposição, o que significa em outras palavras, em bom português, que não foi um bom movimento.”

O racha dentro do PMDB se acentua a cada dia. Em busca de unidade para tentar derrubar a presidenta Dilma, Michel Temer e Eduardo Cunha acabaram dando um tiro no pé. Com o rompimento, o governo se sentiu livre para entregar cargos a outros partidos, sem que com isso remova de suas fileiras os peemedebistas que vão lutar contra o impeachment.

Mais presente no cenário político do que qualquer um oposicionista – e mesmo sem as credenciais de ministro Chefe da Casa Civil –, Lula dialoga com quase todos os partidos em busca de votos contra o impedimento. E sua liderança concede uma força imprescindível ao governo neste momento de crise.

O impeachment não passa na Câmara. Mas se chegar ao Senado e também for aprovado, será derrubado no STF. Está muito claro que um governo ilegítimo poria fogo no país e a crise, que é de fundo político, se acirraria em níveis catastróficos.

O caminho para Temer será, invariavelmente, o do esquecimento. Ele não terá poderes para unificar o país caso a Dilma seja afastada. E se a presidenta não cair, ainda que seu governo seja paralisado, ao vice restará somente a alternativa de conspirar.

Neste momento, o impeachment corre numa velocidade descomunal para os padrões de Brasília e isso acontece, como disse o Paulinho da Força, por causa do Eduardo Cunha. É ele o responsável pela empreitada golpista desde o início, amparado pela oposição e por Michel Temer. O que justifica esta ânsia por poder é o travamento da Lava Jato.

Enquanto o processo de cassação do Cunha se arrasta no Conselho de Ética, ele manobra para derrubar a presidenta da República. E diz que muito se orgulha de ser vaiado por petistas. Com incontáveis contas na Suíça e envolvido até no Panama Papers… É um achincalhe sem fim.

3 Comentários

Deixe um Comentário!