Blog do Mailson Ramos

A marcha não é contra o PT. É contra as políticas sociais do PT

A marcha não é contra o PT. É contra as políticas sociais do PT

A marcha não é contra o PT. É contra as políticas sociais do PT – Foto: Reprodução

Que ninguém se engane com este discurso anticorrupção contra as forças da esquerda; a marcha não é contra o PT. É contra as políticas sociais do PT.

A extrema-direita recrudesceu violentamente. As forças antipovo são as mesmas que se mobilizaram por interesses próprios contra Getúlio e Jango. Em estrepitosa agonia se condensaram numa Avenida Paulista carregada de extremistas e reacionários que foram capazes até de escorraçar Aécio Neves, aquele que sempre os conclama a invadir as ruas.

Não pelo apelo excessivo da insatisfação, mas pela rejeição ao pobre, negro e a todas as minorias, estas forças se insurgem sobre o que há de mais nefasto no Brasil de hoje: o ódio de classe. Puro e torpe.

O discurso é contra a corrupção para encontrar adeptos, entretanto, em sua essência, a turma de verde e amarelo que marchou pelos nobres endereços das capitais brasileiras não quer o Bolsa Família, não aceita o Fies, abomina o Minha Casa Minha Vida, tem horror a todas as políticas sociais criadas pelo PT e da corrupção se vale para deslegitimar todas as conquistas alcançadas pelos governos petista.

Chegou o momento – e isso é muito claro – em que as forças conservadoras se cansaram do Brasil voltado para os mais humildes; precisam do Brasil de volta como antes era, aquela República das bananas onde a meritocracia vale mais do que qualquer capacidade.

Reivindicam para si a condição de salvar o Brasil desta doença chamada corrupção e que parece estar intimamente ligada ao PT e toda a sua corja. Salvando o Brasil do PT, restará aos outros partidos a tarefa de restabelecer a paz.

Vão sim atirar o país num fosso tão profundo que liderança política alguma vai conseguir restituir a tranquilidade. Porque a política tem sido dilacerada no processo da Lava Jato. O modus operandi de Sérgio Moro é nada mais do que um triturador do sistema político. E agora não depende mais da oposição e da mídia dar freios ao monstro que criou.

Quem vai afagar o ego de Moro é esta extrema-direita que parece ter aparelhado todas as esferas do governo. Aqui não se trata de mistificar, mas estamos falando de uma hidra cujas cabeças podem nos levar à ruptura democrática.

Ao não suspender o recesso para antecipar as discussões sobre o processo de impeachment da presidenta Dilma, ainda em janeiro, os presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente Eduardo Cunha e Renan Calheiros, jogaram a cartada final. O PMDB entrou de cabeça no Golpe.

E ainda que esta massa desenfreada tenha expulsado o Aécio de suas entranhas, estará numa eventual disputa presidência, apoiando-o, porque ele é a representação pura e ordinária dos ideais que os direitistas professam.

De todo este processo de massificação não se pode deixar a mídia de fora. Ela concebe, idealiza e materializa o Golpe sem se esquecer de que está sendo observada. Na verdade, há muito tempo a mídia se prostitui por poder e para alcançar e conceder favores.

Escancarou e deixou escancarar uma face abjeta que se escondia sobre a máscara da imparcialidade inexistente. E se lhe falta imparcialidade, também falta credibilidade. O que sobra é a manipulação.

O PT cometeu erros muito graves. Mas de todos eles, o que vai perdurar pelas próximas décadas, com reflexos muito claros, foi a tentativa de dialogar com uma elite que só se assume: ela não assume o Brasil, não assume os seus problemas, faz questão de renegar este país, afinal, ele jamais dará certo.

E se hoje renegam tudo o que aí está, não é por crise, por corrupção, para eleger outros governantes. É para trazer de volta um Brasil em que mendigo, pobre, negro tem é que tomar serve como o exemplo abaixo, para achincalhe da elite que diz se manifestar pelo bem do Brasil.

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Imagem extraída do Twitter do amigo Andreoli.

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