Blog do Mailson Ramos

O futuro político é, sobretudo uma incerteza

O futuro político é, sobretudo uma incerteza

O futuro político é, sobretudo uma incerteza – Foto: Pedro França/Agência Senado

Durante o feriadão, no interior da Bahia, muita incerteza sobre o futuro da política na voz dos sertanejos; algumas certezas, porém, são incontestáveis.

Nos últimos dias estive em Conceição do Coite, cidade localizada no nordeste da Bahia, a 216 km de Salvador e onde se respira política o tempo inteiro. Por lá ter nascido pude ouvir todas as opiniões sem distinção ideológica, preferências ou preconceitos.

Numa cidade do interior – e muito mais num pequeno povoado onde vivem cerca de duas mil famílias – é que se podem interpretar os acontecimentos nacionais na visão de um povo simples.

É diferente da discussão existente numa capital como Salvador.

Mesmo na condição de consumidores de notícias da grande e velha mídia, as pessoas têm a percepção de que o Partido dos Trabalhadores não é o único causador desta crise moral, onde, para eles, todos os partidos são culpados por terem se corrompido.

Existe uma desilusão declarada em respeito ao PT pela bandeira ética que ele levantou nos tempos de oposição e que conspurcou ao ocupar o poder – sem que com isso se ignore as conquistas alcançadas nos últimos 14 anos.

Também existe uma desilusão em respeito à oposição de hoje. As pessoas são categóricas ao afirmar que Aécio Neves, principal nome do PSDB e que disputou as eleições presidenciais contra Dilma Rousseff, não tem a mínima condição de assumir o país porque está envolvido em escândalos de corrupção.

Categóricas também são as respostas sobre o impeachment: há incertezas sobre o futuro, mas todos, todos afirmam que Michel Temer não será o responsável por tirar o país da crise, numa eventual queda de Dilma.

Sobre o grampo do Moro, até os menos instruídos sabiam que ouvir conversas da presidenta da República não é atribuição de um juiz federal. Um amigo comentou: “Já imaginou se fosse com o Obama? Só no Brasil mesmo!”

A descrença geral e as incertezas são maiores do que qualquer sentimento. E isso não significa o fim da política. Talvez seja um sintoma muito simbólico da falta de representação. E do que ainda faz a mídia ao martelar a cabeça do brasileiro mais simples dia após dia.

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