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Máfia da Merenda: Cooperativas “laranjas” tinham sede em Spa

Máfia da Merenda: Cooperativas "laranjas" tinham sede em spa

Máfia da Merenda: Cooperativas “laranjas” tinham sede em spa – Foto: Carol Melo

Spa localizado na cidade de Bebedouro, interior de São Paulo, teria sido utilizado como sede de duas cooperativas “laranjas” para forjar concorrência em licitações.

O governador de São Paulo até agora não se pronunciou firmemente sobre o assunto. Aquela história de ‘vamos apurar tudo e punir os culpados’ é um mote que não se aplica às gestões tucanas.

Se a máfia atingiu 152 cidades no Estado, está claro que opera há muito tempo nas entranhas da administração pública, mais especificamente na área da educação.

Agora as investigações começam a revelar as estratégias da máfia ao criar cooperativas “laranjas” para forjar uma concorrência em licitações para fornecimento de produtos destinados à merenda.

No Uol:


Spa sedia cooperativas ‘laranjas’ usadas na “máfia da merenda” em SP

Duas das cooperativas usadas pela chamada “máfia da merenda” – alvo da Operação Alba Branca, que investiga suspeitas de que um esquema superfaturava preços dos produtos e pagava propina para vender alimentos às escolas no Estado de São Paulo – têm sede num spa em Bebedouro, interior paulista.

A Associação Agrícola Orgânica de Bebedouro (AAOB) e a Horta Mundo Natural foram usadas para simular disputas com a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), que firmava contratos das prefeituras para fornecer a merenda escolar.

A entidade é o alvo central da investigação do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil. Quem procura as cooperativas de produção de alimentos, encontra hóspedes jogando tênis ou fazendo exercícios aquáticos num conjunto de piscinas.

O endereço da AAOB e da Horta Mundo é o mesmo do Natural Spa, um hotel de emagrecimento com diárias de até R$ 310. O empreendimento pertence à família de Cassio Izique Chebabi.

Ex-presidente da Coaf, ele é apontado pelos investigadores como coordenador das fraudes. Chebabi teria colocado “laranjas” na direção das duas cooperativas de fachada que, em muitos contratos com prefeituras, são as únicas que “concorrem” com a Coaf.

O gerente do spa, Deceir Aparecido Valseirio, disse que uma parte da área do empreendimento, que ocupa terreno de 106 mil metros quadrados, foi usada por Cássio Chebabi para a produção de legumes e verduras. Ele contou também que a horta parou de produzir há muito tempo.

A reportagem teve acesso ao terreno e encontrou mato quase encobrindo o “esqueleto” do que haviam sido quatro estufas, além de algumas máquinas, equipamentos e mangueiras para irrigação transformados em sucata.

As três cooperativas já existiam quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a Lei 11.947/2009, determinando que 30% dos recursos do Fundo Nacional da Alimentação Escolar fossem destinados à compra de produtos da agricultura familiar para a merenda.

A lei dispensa a licitação, mas exige uma série de documentos que obriga o agricultor a se organizar em associações ou cooperativas. Chebabi usou a Horta Mundo Natural para se cadastrar como produtor familiar.

A Coaf começou adquirindo a produção de 60 pequenos produtores familiares, como manda a lei, mas a prática durou pouco, conforme contou ao jornal “O Estado de S. Paulo” o presidente interino Carlos Alberto Santana da Silva. “Não tinha logística para levar a produção de cada pequeno agricultor, então era comprado onde havia o produto, inclusive no Ceasa.”

Para simular a compra da agricultura familiar, a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) – registro que comprova que o produtor é de fato familiar – emitida por órgãos do Ministério e da Secretaria de Agricultura era adulterada. “Na essência, todos os contratos (da Coaf com prefeituras) eram irregulares pelo uso indevido do DAP”, admite Silva.

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