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Uma operação que vaza a jato. Quando convém

Uma operação que vaza a jato. Quando convém

Uma operação que vaza a jato. Quando convém – Foto: Reprodução

Os vazamentos da Lava Jato são seletivos; há diferenças temporais entre eles; a imprensa sabe o que pode guardar e o que deve publicar imediatamente.

O ministro Teori Zavaski, relator da Operação Lava Jato no STF, disse que havia “um perigoso canal de vazamento” de informações sigilosas das investigações do esquema de corrupção da Petrobras para beneficiar pessoas poderosas.

Antes dele, em gravação de áudio que sacudiu a República, em fins de novembro, o senador Delcídio Amaral confirmou que havia uma pessoa, o “japonês bonezinho”, a repassar informações sobre os inquéritos da Lava Jato.

Em decadente evento promovido pela Abril, Sérgio Moro, juiz federal responsável pelas sentenças da Lava Jato, foi categórico ao defender a publicidade dos processos da operação.

A defesa reiterada de Moro quanto à participação da imprensa e do jornalismo investigativo não evita, contudo, que existam dois tipos de vazamentos na Lava Jato: existem aqueles que explodem como uma bomba, muitas vezes acompanhado de uma ação da PF com homens armados e encapuzados para causar frisson na mídia; e existem vazamentos que, de tão esmaecidos pelo tempo, correm o risco de não virar mais notícia pela perda da instantaneidade.

Exemplos: Vazou a história de que a cunhada de João Vaccari havia sacado dinheiro de depósitos ilegais. O aporte da mídia foi imediato. A TV Globo, via JN, noticiou que Marice Correia de Lima era considerada fugitiva da polícia. No dia seguinte ela se apresentou à PF, no Paraná, e, dias depois foi liberada com a comprovação de que a pessoa que aparecia nas imagens do banco, a sacar o dinheiro, não era ela, mas Giselda, sua irmã e esposa de Vaccari.

O segundo exemplo é de uma morosidade no mínimo estranha: O delator Carlos Alexandre de Souza Rocha entregava o dinheiro segundo as ordens do doleiro Alberto Youssef. ‘Ceará’, como é conhecido, disse, nos dias 29 de junho e 02 de julho de 2015, que o senador Aécio Neves teria recebido R$ 3oo mil de propina. A notícia só foi veiculada seis meses depois, nos primeiros dias de 2016.

Na velocidade da luz, as empresas de comunicação tem adquirido o acesso aos inquéritos da Lava Jato. Para utilizá-los como e quando lhes convém.

E se o juiz Sérgio Moro entende que a imprensa está simplesmente fazendo o seu trabalho – ou porque ela lhe afaga o ego constantemente – os resultados não são previsíveis. Como também não há previsibilidade sobre os próximos passos desta operação que promete limpar o país da corrupção, mas tem um policial que vende informações sigilosas e um grupo de delegados que instalam escuta telefônica ilegal em mictório de preso.

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