Blog do Mailson Ramos

A santidade de ladrões ou os delatores bonzinhos

A santidade de ladrões ou os delatores bonzinhos

A santidade de ladrões ou os delatores bonzinhos – Foto: Reprodução/Nossa Política

Delatores se tornam figuras imprescindíveis à Lava Jato. A eles é concedido até um caráter de santidade. Mas antes o Moro abusa de métodos mediavalescos, como disse o Teori.

A história de que a Lava Jato é este raio moralizador que vai limpar de vez a política brasileira é tão sem noção quanto estabelecer heroicidade sobre o Moro, um juiz, funcionário público que ao exercer suas atribuições não faz mais do que as exigências do seu ofício.

A providencial contribuição dos delatores e a santidade que se lhes pousa sobre as cabeças é a prova mais contundente de que a Lava Jato está concedendo liberdade a quem mais corrompeu. Ou seja, não está combatendo a corrupção como se prega obstinadamente por aí.

Tudo parte do princípio de que se o delator não delatar, vai mofar na carceragem da PF, em Curitiba. E a palavra delatar aqui não tem relação alguma com a verdade. A partir do momento em que aceita entregar histórias – que serão vazadas solenemente para a imprensa –  o delator passa a ser divinizado no processo.

Divindade esta que pôde ser notada nas diversas delações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, beatificados e canonizados segundo o códex de Sérgio Moro. O novo bem-aventurado é o Nestor Cerveró, porque ainda não delatou o suficiente para se tornar digno de santidade.

E quando o fizer, poderá cumprir alguns anos de pena até se deparar com a liberdade. Para sacanear com a nossa cara; e como disse o Lula, ir fumar charuto em Copacabana.

O Cerveró já começou inclusive a destratar agentes penitenciários. Já se sente importante porque seu nome foi estampado em todos os jornalões, no JN, na GloboNews. Famoso ainda que encarcerado.

O Moro sempre soube que o instituto da delação era o passo mais fácil para chegar às revelações importantes, embora nada garantisse que elas conservassem conteúdo verídico.

Para piorar, algumas delações jamais convergiram, outras sequer relacionaram nome de algum acusado, como é o caso de Marcelo Odebrecht.

E tem gente achando que a Lava Jato está perto do fim. O caráter de infinidade que se aplica à história das delações nos faz pensar que a todo indício, o Moro diz: traz o Youssef, traz o Paulo Roberto Costa, traz o Cerveró.

Todos santinhos e de aureola na cabeça.

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